Publicado em 1º/1/2025, às 12h30

*Teonei Guerra é Jornalista Provisionado e Corretor de Imóveis.

Show de horrores
Teonei de Araújo Guerra*

Foto divulgação

A festa da virada do ano 2025/26 em Correntina, denominada de “Correntina Celebra Correntina Vibra”, para qualquer pessoa que tenha um mínimo de bom gosto musical, foi, na verdade, um “show de horrores”, em razão do que foi apresentado no show musical.

As atrações: os cantores Nelson Nascimento e Tony Salles, e a banda Donas do Bar – como consta na mídia divulgada pela Prefeitura Municipal -, apresentaram o que pode haver de pior na música brasileira atual. Que vive um momento dos mais tristes, deploráveis.

Aliás, um show com tanta música ruim, na virada do ano, não pode trazer nenhuma boa energia para 2026 para o município. Vamos aguardar, e ver o que acontece. E fica, da minha parte, uma pergunta: será que não havia nada um pouquinho melhor para o poder público oferecer à população como opção para a festa?

Pode ser que o leitor desse texto possa estar questionando: mas havia tanta gente! A praça lotou! Sim, é verdade. Mas, devemos levar em conta que boa parte da multidão que foi ao show o fez por falta de opção, para não ficar em casa, e que a outra parte, realmente, foi, por gostar dessas… atrações. E essa “outra parte” pode até ter gostado do que ouviu. Tem gosto para tudo, não é mesmo?

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Concordo até com quem possa alegar que o mau gosto na música sempre existiu. Sim. Mas, o problema, é que o mau gosto nunca foi tão “ruim” quanto agora, e se tornou um mal endêmico, ou uma “epidemia” que está comprometendo a capacidade cognitiva de muita gente; destruindo neurônios.

Aliás, esse é um fenômeno pernicioso que, além de prejudicar a qualidade de nossa música, está praticamente “apagando” a memória da gloriosa música brasileira, representada, por exemplo, pela imortal Carmem Miranda, e depois, pela Bossa Nova que chegou a influenciar a música internacional. Influenciou grandes nomes como Frank Sinatra, Miles Davis e Ella Fitzgerald. E mais. Está jogando na lata do lixo, a história e a obra de nomes como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Morais e Sérgio Mendes, que, com a sua banda, Brasil ’66, construiu um legado dos mais importantes da música brasileira nos Estados Unidos. Isso é muito grave, e representa um desserviço à música e a cultura nacionais. Ou mais.

O que estamos vendo, na verdade, é a decadência da música nacional, em ação que parece orquestrada por setores interessados nela: gravadoras, distribuidoras, empresas radiofônicas e grupos políticos e da sociedade civil. E encontra no “povo”, um rebanho de… ovelhas, dócil e incapaz de discernir uma música de qualidade, do lixo musical.

Não é possível fazer esse tipo de crítica sem incluir entre os responsáveis pelo que acontece na música nacional, as prefeituras. É inconcebível, por exemplo, que se utilize o dinheiro público para destruir a cultura nacional; patrocinar eventos públicos com shows que incentivam a violência e fazem apologia às drogas – entre outros temas caros à sociedade.

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O ideal seria que esses “shows de horrores” fossem banidos dos festejos. Mas, crendo que isso seja impossível, o meu derradeiro apelo é no sentido de que o poder público, ao menos, oportunize aos bons profissionais da música e a quem tem bom gosto musical, poder participar dessas festas populares.

*Teonei de Araújo Guerra é jornalista provisionado, escritor e colaborador do Jornal de Correntina.

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