Publicado em 14/3/2026, às 16h19.
Chuíte vai tocando nossa saudade!
Por Hélverton Baiano
Quando Manelito Chuíte tirou as primeiras notas do saxofone na beira do rio, pairou um clamor mesurado e ao mesmo tempo inusitado. Iniciava-se ali a saga de um artista ‘nor-destinado’ a quebrar regras e a mostrar que com garra, força de vontade e perseverança se consegue fazer algo de produtivo. Quem olha Chuíte, pequenininho e desmilinguido, não desconfia da força que existe brotando constantemente e aos borbotões na forma de gente e de música.
Chuíte impressiona pela garra e vontade autodidata de aprender os meandros das coisas e conhecer o mundo através da música. É um predestinado e vivendo no oco do mundo, que nem um passarinho, se torna mais predestinado ainda, mostrando a quem o vê o que pode uma pessoa que tem força de vontade e determinação. Muitos Chuítes existem por aí perdidos Brasil afora, noves fora o desaforo desse mundão a sojigar a gente e a nos despachar ingentes.
Esse é o trecho de uma crônica que escrevi certa feita para homenagear o querido Manelito Chuíte, com quem convivi desde menino e de quem admirava a força de vontade de aprender e de servir à comunidade correntinense, com a música, que é uma arte que enleva, considerada a primeira de todas as artes. Chuíte morreu, levou um pedaço da gente, de nossas memórias, de nossas alegrias, mas deixa uma marca de perseverança, de altivez e bondade.
Que vá em paz, assim como viveu, porque seu sopro de alegria e beleza vai continuar ecoando na gente. E ao chegar por aí, reivindique seu espaço para tocar na Filarmônica Erato Celeste, e que o seu som chegue por aqui, para nosso contentamento. De Manelito Chuíte vão ficar boas lembranças e muita saudade.




