Publicado em 18/1/2025, às 12h11

Uma Crítica a Crítica sobre o CARNAVAL
Getúlio Reis

Na recenticidade do dia 10 de janeiro, o ilustre Teoney Guerra (Tony de Guerrinha) reiterou seu posicionamento em relação à conservação das tradições do Carnaval, afirmando, peremptoriamente que: “entendo que a “tradição” deve ser preservado na sua essência”, recebendo comentários de discordância da minha parte e de plena concordância da parte do conterrâneo e também ilustre Laércio Coimbra (Laércio de Canô), o qual em seu belíssimo comentário asseverou: “compartilho da sua perspectiva companheiro”, e, complementa com a assertiva de que: “a cultura popularesca não nasce espontaneamente de um povo, como expressões “espirituais” desse povo, mas da Indústria Cultural” , dizendo, ainda, que é: “uma criação artificial de cultura” e finaliza o comentário com a assertiva de que: “Quem desconhece esses conceitos, corre sempre o risco de emitir “opiniões” equivocadas sobre o tema em questão. Esperancemos”.

Meus caros Laerte e Tony, de logo realço que não sou polêmico e aprazem-me discussões acadêmicas de assuntos como as culturas, que são um mosaico vibrante e diverso, moldado pelas contribuições de vários povos, a exemplo dos indígenas, africanos, europeus e asiáticos, com isso, resultando em manifestações únicas em cada região, como o Carnaval, o Frevo, o Bumba Meu Boi, o Samba; na culinária com exemplos regionais como o Virado à Paulista (Sudeste), Acarajé (Nordeste), Arroz com Pequi (Centro-Oeste), Tacacá (Norte); e, na língua portuguesa com seus sotaques, e tradições como Festas Juninas, Capoeira, Folia de Reis, refletindo uma rica mistura de costumes, ritmos e identidades que formam a identidade nacional.
Mas, voltando ao assunto, na boa discussão sobre a cultura popular, sem qualquer pretensão, expresso que a distinção entre “cultura popular” e “cultura popularesca” é, de fato, um tema recorrente em debates acadêmicos, mas é importante lembrar que essas categorias não são tão rígidas quanto parecem. A cultura é um processo dinâmico e complexo, e as fronteiras entre o “popular” e o “populista” são frequentemente nebulosas.

A idéia de que a “cultura popularesca” é uma criação artificial da Indústria Cultural, enquanto a “cultura popular” é uma expressão autêntica do povo, é uma visão um tanto simplista. Não seria mais produtivo considerar que a cultura é um campo de disputa, onde diferentes forças sociais e econômicas se enfrentam e se influenciam mutuamente?
Além disso, a noção de que as pessoas que consomem “cultura popularesca” são de alguma forma alienadas ou enganadas é um tanto paternalista. Não seria mais interessante considerar que as pessoas têm agência e podem fazer escolhas informadas sobre o que consomem, mesmo que essas escolhas não sejam consideradas “cultas” ou “sofisticadas” por alguns?
A folia momesca começa cedo, com destaque para o ciclo carnavalesco de Fortaleza e ensaios de blocos em várias capitais, não deixa de ser um convite para mergulhar na pluralidade brasileira, celebrando a união de diferentes estilos musicais, formas de vestir e expressões de gênero. A capital baiana, reconhecida pelos trios elétricos que arrastam multidões e a animação se faz com a presença de grandes nomes, como Ivete Sangalo, Bell Marques, Daniela Mercury e Baiana System, celebrando a identidade local. Já São Paulo aposta em uma enorme diversidade, esse ano de 2026 com a previsão de mais de 650 blocos, oferecendo opções que vão do axé ao rock, sertanejo e pagode. O Rio de Janeiro famoso pelos desfiles icônicos no Sambódromo. No Pernambuco as vibrações com o frevo e maracatu em Olinda e Recife

O Carnaval de 2026, com seu ápice oficial entre os dias 13 e 17 de fevereiro, promete ser uma grande celebração da diversidade, ancestralidade e resistência cultural. Essa festividade, que reflete a riqueza cultural do Brasil, traz inovações e mantém tradições que unem ritmos, cores e identidades diversas, é uma expressão genuína da diversidade, onde não há espaço para discriminação, promovendo o respeito à individualidade de cada folião. Ele se manifesta de formas distintas e mistura influências africanas, indígenas e européias, atuando como um espaço de resistência e identidade popular é um convite para mergulhar na pluralidade brasileira, celebrando a união de diferentes estilos musicais, formas de vestir e expressões de gênero em Correntina, na Bahia e no Brasil.
Por fim, saliento que é importante lembrar que a cultura é um campo de debate e disputa, e que as categorias e conceitos que usamos para analisá-la devem ser constantemente questionados e revisados. Devemos evitar a tentação de julgar o que é “autêntico” ou “artificial”, e sim buscar entender a complexidade e a riqueza da cultura em todas as suas formas.

É como penso! Divergindo sem ser desagradável, mantendo uma postura ponderada e buscando o fundamental para um diálogo construtivo, por isso reconheço as “vênias” devidas e necessárias àqueles que pensam de forma diversa e permitem que as trocas de idéias ocorram sem cair no campo do ataque pessoal, político ou da intolerância, invocando a máxima que diz: “posso não concordar com nenhuma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo”. É o respeito à pluralidade de pensamentos que enriquece o debate e nos faz crescer.





