Publicado em 4/2/2025, às 16h42.

Escola cívico-militar: São Paulo e Correntina – Veja para que/quem é criada e seus objetivos

Imagem divulgação do JC.Escola cívico-militar: São Paulo e Correntina – Veja para que/quem é criada e seus objetivos

Quando a escola vira quartel, a juventude perde a voz.
Nos últimos dias, circulou um vídeo do primeiro dia de aula em uma escola de Caçapava, no interior de São Paulo, onde policiais reformados foram colocados dentro da sala de aula como parte do modelo cívico-militar. O que era para parecer “organização” virou um retrato preocupante: erros de português e postura inadequada. Mas o problema não está apenas no vídeo. O problema é muito maior: está na lógica por trás disso.

Existe uma pergunta que precisa ser feita com coragem: por que os filhos dos ricos, dos políticos e das famílias influentes não estudam nesse modelo? Os filhos da elite e da classe média alta estudam em escolas humanistas, com professores qualificados, bibliotecas, projetos, idiomas, arte, debate, psicologia escolar e incentivo à autonomia. Eles aprendem a argumentar, a liderar, a lidar com sentimentos e a pensar com liberdade.

Enquanto isso, para os filhos do povo, os que vivem sem cobertor social, sem comida garantida, sem moradia digna e sem apoio pedagógico, o que se oferece é outra coisa: treinamento para obedecer. É como se dissessem, sem dizer: “Vocês não precisam pensar. Vocês precisam marchar.”

Escola cívico-militar não resolve o problema da escola. Isso é medida populista, feita para maquiar a realidade e “mostrar serviço”, sem enfrentar o que realmente existe.

Quem conhece o interior de Correntina sabe muito bem que a educação depende de fatores que vão muito além da disciplina. Há crianças que não dormem porque por causa dos conflitos familiares à noite. Crianças que acordam assustadas porque choveu e a cama molhou com as goteiras da casa. Crianças que dormem quatro ou mais irmãos no mesmo colchão. Crianças que vão para a escola sem jantar, apenas com um copo de “garapa” na barriga, esperando a hora do lanche.

Diante dessa realidade, a pergunta é inevitável: o problema é mesmo indisciplina? O problema é de polícia? Ou o problema é social, familiar e estrutural? E não para por aí. Além da vulnerabilidade social, o próprio Estado oferece escolas sem estrutura, salas superlotadas e, cada vez mais, alunos laudados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras necessidades especiais, sem apoio profissional adequado. Não existem equipes multifuncionais nas escolas para fazer a parte que não compete ao professor, que não foi preparado para carregar sozinho essa responsabilidade. Há órgãos que não funcionam como deveriam e uma rede de proteção que, muitas vezes, simplesmente não chega.
O que falta é estrutura para a educação acontecer de verdade: apoio, profissionais preparados, atendimento multifuncional e políticas públicas integradas. Educação se faz com professor, cuidado e dignidade, não com quartel.

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E Correntina está vivendo exatamente esse risco! O secretário de educação insiste em implantar o modelo de ensino cívico-militar, mesmo diante de alertas e manifestações de instituições responsáveis, como Ministério Público, conselhos municipais, sindicato e outros órgãos competentes.

Mesmo com recomendação do Ministério Público, o secretário municipal de educação insiste em atropelar autoridades e criar comissões para dar continuidade a uma ideia que parece ter saído da cabeça de quem nunca pisou em uma sala de aula. E pior, um projeto que, no fundo, não tem como objetivo educar, mas controlar a massa, calar a juventude e silenciar o pensamento crítico.

Quem defende polícia em sala de aula não quer resolver a educação: quer calar a juventude. Correntina não precisa formar soldados. Precisa formar cidadãos. E isso só se faz com professores valorizados, políticas sociais e respeito à escola.

4 COMENTÁRIOS

  1. A escola cívico militar em Correntina será um grande avanço, no ensino em nossa cidade, hoje nossos alunos sofrem por falta de ensino de excelência, não por falta de esforço dos nossos professores.
    Os últimos cinco Enem confirmam que os alunos da escolas militares tiveram as melhores notas.
    O comportamento desses jovens em sala de aula como em casa dos seus familiares, mudaram para melhor.
    Os alunos da escola militar estudam mais, se dedicam mais as disciplinas que são aplicadas nessas escolas.
    “De uma maneira assustadora” mas agradável, os alunos filhos de pobres, sem expectativa, não teriam chance alguma na vida de passaram em concursos públicos de grande relevância com salários dignos de um servidor, sem ajuda e o incentivo das escolas e em especial, das militares.
    Com todo respeito ao jornal, JC, uma matéria dessa que foi publicada demonstrando a sua opinião negativa, porém respeito, sobre a melhoria do estudo, do ensino em nossa cidade, é de uma aberração!
    O doutor Enéas disse uma frase muito bem colocada; “É melhor ter uma escola rígida do que não ter uma escola, onde não aproveito no aluno”
    Portanto reafirmo que sou 100% a favor da escola cívico-militar em nossa cidade de Correntina.
    Parabéns a quem teve essa grande ideia de instalar, de conseguir, de trazer esse benefício aos nossos jovens e crianças.
    Daqui a 10 anos teremos os frutos deste trabalho.
    Mais uma vez reitero que a escola pública faz um grande papel na nossa cidade, mas ainda deixa a desejar, devido às notas obtidas no ENEM.
    Temos alunos que se destaca sim,
    Mas o percentual é muito baixo, 1 para 1000.

  2. Não dá pra negar que os índices de educação em escolas cívico-militar está acima da média nacional, contudo os alunos que são selecionados para essas escolas são aqueles alunos comportados, que não dão trabalho e que se sentam nas primeiras fileiras da sala.
    Muitos argumentam que porque em Goiás as escolas militares são muito boas, claro que são, porém é como citei, os alunos bagunceiros e que realmente precisam de uma disciplina rígida, não estão nessas escolas. Alem delas serem colégios estaduais e não municipais.
    Por fim, em 26 de setembro de 2022, um jovem invadiu e matou uma estudante cadeirante, em Barreiras, cidade próxima a Correntina, isso ocorreu em uma escola militar. Qual é o projeto em Correntina em relação a segurança dos alunos, em dar disciplina mais rígida aos estudantes que mais precisam?
    É melhor focar em melhorar a qualidade da educação, em acabar com a evasão escolar!

  3. Não era inesperado que representantes públicos de um Estado que, nas últimas eleições, apoiaram majoritariamente ideologias de matriz marxista e esquerdista adotassem esse tipo de posicionamento. Mais de 80% do eleitorado elegeu um governador que anteriormente ocupou o cargo de Secretário de Educação da Bahia, período marcado por indicadores alarmantes: elevados índices de analfabetismo, o pior desempenho no PISA, alta evasão escolar e um cenário preocupante de violência no ambiente educacional, incluindo agressões físicas e psicológicas, homicídios de professores e práticas recorrentes de bullying entre alunos.
    Diante desse contexto, o posicionamento das autoridades acaba por reforçar uma lógica de permissividade e relativização de valores. O verdadeiro progresso, assim como o desenvolvimento do conhecimento, da empatia, da autonomia e, consequentemente, da excelência profissional, só se constrói a partir de respeito, regras claras, ordem e dedicação. Fora disso, qualquer discurso de avanço se torna vazio e ineficaz.

    Escola Cívico Militar mantém a ordem: aluno e professor não trafica, não usa entorpecente, não sofre bullying, não sofrem agressões e nem são assassinados.

    Autor: Gílson Magalhães

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