- Publicado em 02/4/2026 às 21h10

COM JESUS, NEM MESMO UM TRAIDOR, FICOU FORA DO JANTAR
Por Antônio Rocha

Como é possível conceber que alguém em alto estado de perseguição, proibido de sequer entrar nas cidades, jurado de morte pelo Estado e pela Religião, e ainda ter cabeça e serenidade para sentar-se à mesa com os seus companheiros, num jantar de despedida…

Penso ser tal atitude absurdamente impressionante e incompreensível…! Um comportamento deveras e humanamente impensável. Seria mesmo impossível? Não! Não para o Filho do homem, que prima por arriscar a própria vida e a sua reputação para o bem de todos.

Conta o Livro Sagrado que, depois de uma pregação por ocasião da ressurreição de Lázaro, o Mestre dos mestres já não mais podia adentrar as cidades. E que, nas suas andanças em meio às multidões, os seus opositores plantavam infiltrados na tentativa de encontrar alguma falha nas suas palavras, ou, no seu comportamento, que pudessem justificar o seu assassinato.
Diz ainda as Escrituras que, na quinta feira, Jesus comeu, bebeu, exortou e se despediu dos seus amigos, revelando logo no início da Ceia o seu traidor. Judas… Sim, Judas! Era esse o seu nome, o Iscariotes que, a partir de um beijo, o mundo inteiro o odiou, ou, quase todo o mundo; menos Jesus…

Essa forma absurda de amar é em si um espanto! Mas, não para o filho de Nazaré que, com a sua misericordiosa atitude, ultrapassa rejeições, decepções e traições, sacrificando-se livremente pelos outros. É que, no Cenáculo, não havia apenas pão e vinho, mas sim entrega e comunhão; perdão e afeto; serviço e palavras reconfortantes…

Desse modo Jesus nos ensina que quem não se curva diante do seu próximo para, lavar-lhes os pés, também não se abre para dividir com ele o pão cotidiano. Sentar-se á mesa com os excluídos e necessitados, com os pecadores e difamados é o que temos para hoje, na belíssima lição do Jovem de Nazaré.





