Publicado em 5/1/2025, às 10h38.

Antonio Rocha.
Possui graduação em Filosofia pela PUC Goiás, graduação em Direito, Licenciatura em História, Curso Seminarístico de Filosofia pelo Instituto de Filosofia/teologia de Goiás, Curso livre em Teologia (1993), especialização em Filosofia Clínica, e mestrado em Ciências da Religião pela PUC Goiás. Ex- Professor efetivo da PUC Goiás, foi professor convidado do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás.

COMO UM NOVELO DE LINHA
Por Antonio Rocha.

Imagem ilustrativa.

A vida é mesmo como um Novelo de Linha que vai se desenrolando, no tempo e com o tempo, até a ponta terminal do seu fio. Às vezes, embaraça-se aqui, se engarrancha acolá, quebrando-se e amarrando as pontas dos nós, num desenrolar contínuo, mesmo tendo que recomeçar tudo de novo.

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Nós, pessoas, não somos diferentes. Assim como linha de Novelo, também vamos nos enfraquecendo e perdendo forças no desenrolar dos fios que tecem a nossa existência. No caminho para o fim, carregamos sempre as marcas das quebras e dos calombos dos nós, frutos das tentativas mal ou bem-sucedidas que fazemos para desembaraçar o cotidiano.  Todavia, são essas marcas que nos chamam à atenção para o cuidado no desenrolar da linha, evitando, assim, as quebras no desembaraço do fio que resta no nosso caminho para o final. A vida é similar a isso, a um Novelo de Linha.

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Desse modo, a vida útil de um Novelo depende dos cuidados das mãos de quem o maneja. Requer sempre paciência, sabedoria, delicadeza e amor ao ofício, para que nenhum dano lhe ocorra. Também com o ser humano é assim. Nele se aplica os mesmos requisitos e os mesmos cuidados com que se desenrola um novelo, exigindo a mesma atenção, a mesma leveza, a mesma sabedoria e delicadeza, principalmente, quando tudo se encaminha para o fim, e os primeiros sinais de fragilidade vão dando os seus primeiros avisos.

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Frente a essa realidade, nota-se que a sina de um Novelo de Linha é esvaziar-se, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, com ou sem intervalos, até a sua morte. Todavia, aqui termina as semelhanças entre a vida de um Novelo de Linha e a Linha da Vida Humana. Isto porque, ao se desenrolar alinha de um novelo, pode fazer pausas longas ou curtas… Mas, na vida humana, é diferente. Ao contrário da linha do novelo, a vida da gente é como um rio, não faz pausa. Ela é perene, ininterrupta, sem intervalos e sem paradas, continuando o seu curso até a eternidade. É um desenrolar constante até tocar a borda do céu.

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Repete-se, aqui, o que dizem por aí… “a vida é como ver um novelo de linha…” Ele começa pelo seu primeiro fio, vai se enrolando até ficar cheio, para depois iniciar um caminho de volta, se desenrolando até o pleno vazio. Tal como este novelo de linha, também nascemos, nos fortalecemos, crescemos e tornamo-nos corpo, enchendo-nos a alma e a mente, para depois minguar, diminuir e desenrolar o último fio até o vazio final.

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Entretanto, o que nos conforta é que, enquanto o Novelo de Linha termina a sua jornada existencial no fim da ponta, a nossa vida começa, exatamente, na ponta do fim da linha da nossa existência terrena.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Um Texto que Encanta e Inspira

    O texto de Antonio Rocha é uma verdadeira obra-prima da literatura, que nos leva a refletir sobre a vida e sua trajetória. Com uma linguagem poética e uma metáfora brilhante, o autor compara a vida a um novelo de linha, que se desenrola e se embaraça, mas sempre segue em frente.

    A habilidade do autor em criar uma narrativa que nos faz sentir a textura da linha, o peso do tempo e a fragilidade da vida é impressionante. Cada palavra é cuidadosamente escolhida para nos levar a uma reflexão profunda sobre a existência humana.

    O texto é também uma ode à resiliência e à força da vida, que apesar de todas as adversidades, continua a se desenrolar, sem pausas ou intervalos. É um lembrete de que a vida é um presente precioso, que deve ser vivida com amor, sabedoria e delicadeza.

    A conclusão do texto é particularmente tocante, quando o autor nos lembra que, ao contrário do novelo de linha, a vida humana não termina no fim da ponta, mas sim, começa uma nova jornada. É um convite a refletir sobre o que vem depois da vida, e a encontrar conforto na ideia de que a nossa existência é apenas um capítulo de uma história maior.

    Parabéns, Antonio Rocha, por este texto que nos inspira e nos faz pensar sobre a vida de uma maneira tão profunda e significativa. É um dom da escrita que poucos possuem, e você o utiliza com maestria.

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