Publicado em 9/1/2025, às 7h52

Antonio Rocha.
Possui graduação em Filosofia pela PUC Goiás, graduação em Direito, Licenciatura em História, Curso Seminarístico de Filosofia pelo Instituto de Filosofia/teologia de Goiás, Curso livre em Teologia (1993), especialização em Filosofia Clínica, e mestrado em Ciências da Religião pela PUC Goiás. Ex- Professor efetivo da PUC Goiás, foi professor convidado do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás.

O RIO E A FÉ
Por Antonio Rocha

Foto de internet.

No Livro Santo já dizia: há tempo para tudo! Há tempo para pensar, para refletir, para revisar e para rezar. Quem pensa, revisa, e quem revisa lembra-se, inclusive, das muitas passagens da vida. Eu, a propósito, lembro-me de que nas águas de um rio corrente, joguei-me várias vezes por semana. Primeiro, deitando-me na fina areia do seu leito, só para eu sentir a macieza dos seus finos grãos tocando a minha pele. Depois, aquecendo-me nas águas mornas que batiam em meu corpo, como que um afetuoso abraço…

Foto ilustrativa de IA.
Foto ilustrativa de IA.

Vencida essa etapa, em compassos lentos, eu batia os braços sobre o manto aquático do rio, procurando alcançar o seu centro para, enfim, entregar-me à força de suas correntezas. Mergulhava e emergia, sucessivamente, para, em seguida, abandonar-me ao sabor do seu balanço rio abaixo. Aquelas águas me levavam como o deslizar de um barquinho de papel sobre uma lamina d’água. Vez ou outra eu batia braçadas, uma ali, outra acolá só para controlar o rumo e a direção da minha diletante viagem.

Foto de internet.

Novamente, vez sim, vez não, eu olhava para uma margem; olhava para outra…  E em seguida virava de barriga para cima e, como criança mirava o céu, enquanto as águas iam me conduzindo. Era uma perfeita interação entre mim e as águas daquele rio! E, se é verdade que elas é que me levavam, por outro lado, era eu que ditava a direção. Assim eu continuava ali… Uma braçada aqui, outra acolá… Eu ia, dessa forma, sentindo o meu corpo leve como que num exercício de levitação, ou como contemplação no silêncio da solidão de um deserto.

Foto ilustrativa de IA.

Certamente, para um rio nos conduzir, é preciso que nele entremos até alcançarmos as forças das suas correntezas. Este exercício me fez meditar sobre a Fé. Chego mesmo a pensar que ter Fé é como entrar num rio e se envolver. Nesse sentido, eu entro nela e ela entra em mim; eu me envolvo nela e ela se envolve em mim; eu vivo nela e ela vive em mim; eu dou testemunho dela e ela dá testemunho de mim.

Foto ilustrativa de IA.

Desse modo, é como numa dança: ora ela me conduz, ora sou eu a conduzi-la. Todavia, para que isso aconteça, eu preciso sair das margens e caminhar para o seu centro até encontrar o ritmo do compasso e me deixar por ele embalar.

Foto ilustrativa de IA.

Enfim, devo concordar que encher-se de fé é como que mergulhar num rio e se deixar abandonar nas suas águas. Porém, confiante de que a sua força conduzirá, por certo, ao destino final.  Contudo, atenção, pois, na Fé como no Rio, deve-se entrar devagarzinho, experimentando e aquecendo, para depois se entregar às suas ondas e às suas correntezas…

 

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