Publicado em 12/1/2025, às 21h30.

QUEM TEM LIVROS NAS MÃOS NÃO PADECE DE SOLIDÃO!
O ensaio de hoje é sobre uma das mais belas invenções da humanidade, o Livro. Habituar-se a ter livros nas mãos é como que colecionar e se cercar de amigos de todas as idades e lugares. É gozar de uma amizade atemporal, além do poder de visitar todos os mundos possíveis e inimagináveis.

Um bom livro não é só um amigo para tê-lo do lado esquerdo do peito. Trata-se daquele que nos faz companhia na cabeceira da cama, e que passa a noite repousando no nosso criado. É o mestre que habita as prateleiras de nossas bibliotecas, companheiro de todos os momentos. Aquele que instrui nos tribunais, que ensina na mesa do consultório médico, que orienta na tribuna do parlamento ou entretém numa rede preguiçosa na beira do mar. O Livro é o amigo de todas as horas e está onde quer que você esteja: nas férias periódicas de final de jornada, nos pátios de recreação, nos cafés da cidade ou nas poltronas confortáveis dos shoppings.

Veja caro leitor, que, ler, é conversar com quem está vinte e quatro horas disposto a interagir, a dialogar, a se deixar questionar, discordar, divergir ou concordar com você. O Livro é aquele tipo de amigo que propõe sem se deixar cooptar, manipular ou bajular pelo interlocutor. Não corta caminho e, vivendo de boca fechada, só fala quando é interpelado. Diz apenas o que tem que ser dito, sem, contudo, ceder ao capricho do leitor. Sem os livros certamente não haveria Sócrates, Castro Alves, Osvaldo Cruz ou Caetano Veloso.

Ademais, os livros são filhos do pensamento, e nascem curiosamente das leituras da vida e do mundo. São fenômenos que emergem da ciranda dialética das releituras e concatenações das idéias, até desembocarem na formatação e impressão. Eles são aquilo que transitam nos espaços digitais, nas cabeças dos pensantes e guardiões de memórias. Estão sentados nas prateleiras das livrarias, nas bancas dos jornais, nos grotões e escrivaninhas; no colo da criança pobre campesina ou favelada.

Arrisco afirmar que, livros, são para ser comprados como que se compra pão fresco nas padarias em todas as manhãs. São eles o pão nosso de cada, de cada ciência, de cada jurista, de cada doutor e especialista. Os livros são o alimento do cérebro que saboreia sabores e saberes a guiar o espírito humano. Nada tão mais necessário que ter um livro por sobre a mesa, para poder acordar e tomá-lo nas mãos. Uma opção segura, para quem não quer andar na escuridão. Sim, é melhor um livro na mão, do que dois pássaros voando; digo dois livros no porão.

E, por falar em livros e leituras, afinal, por onde andam e como estão os leitores da nossa cidade? A quanto anda nossa produção literária? A propósito, literatura combina com biblioteca. Quantas bibliotecas há na nossa cidade, e como é a sua qualidade e freqüência? Uma cidade sem biblioteca é como carro sem farol. Assim como uma civilização sem livros, corre o risco de estagnação ou mover em círculo. Que nunca nos esqueçamos da revolução da escrita e da imprensa, e os seus efeitos em nossos dias.


Aliás, quem não se esquece desses marcos civilizatórios são os nossos conterrâneos: Hélverton Baiano que leu, só no ano passado, mais de meia centena de livros. E Paulo Oisiovici, que “devorou” para mais de 25 exemplares, além de se ocupar com a tradução de centenas de páginas, do russo para o português. Além desses, há outros devotados pela leitura, como os professores escritores: Gecílio Souza e Arnaldo Santos. De certo não há outra saída para o desenvolvimento humano, senão pela via da formação de novos leitores.


Por fim, espero que a sociedade, principalmente as crianças, os adolescentes e os jovens, sejam estimulados a ter gosto pela leitura e amor pelos livros. Leiam sempre! Qualquer coisa… Principalmente o que edifica, dignifica e constrói o mundo e a humanidade.





