Publicado em 2/1/2025 às 8h01

Antonio Rocha.
Possui graduação em Filosofia pela PUC Goiás, graduação em Direito, Licenciatura em História, Curso Seminarístico de Filosofia pelo Instituto de Filosofia/teologia de Goiás, Curso livre em Teologia (1993), especialização em Filosofia Clínica, e mestrado em Ciências da Religião pela PUC Goiás. Ex- Professor efetivo da PUC Goiás, foi professor convidado do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás.

SERIA O MERCADO VELHO MAIS UMA VITIMA DA SAGA DA DESTRUIÇÃO?

Imagem extraída do grupo Relíquias de Correntina (facebook)

Dizem que “onde há fumaça há fogo!” Eu, por mim, tenho cá minhas dúvidas. Todavia, do jeito que as coisas andam tudo pode acontecer. Já caminhando para o final de ano, a população acordou sacudida por uma impactante notícia, veiculada pelo Portal de Correntina, na data do dia 30/12/2025. Nela, o referido veículo de imprensa traz suspeita de que o prédio do Mercado Velho corre sério risco de sucumbir. No caso, vítima de trama urdida à surdina, possivelmente pela Câmara de Vereadores da cidade. Por ora, apenas suspeita…  Porém, como o município já fora surpreendido por diversas vezes por esses ardis, é de bom alvitre vigiar. A ver o histórico de Correntina, não me surpreenderia se tal fato acontecesse. Para ilustrar, trago alguns exemplos  como: Cine teatro Ítalo, Cadeia Pública Municipal, Maternidade Padre André e outros… Cuidemos para que não levem a rodo o antigo Hospital Municipal (SESP)… Sem contar as inúmeras residências do centro histórico que, propositalmente, estão sendo descaracterizadas ou demolidas.

Imagem extraída do grupo Relíquias de Correntina (facebook)
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Mas, retomando o tema da nossa provocação, que é o Mercado Municipal da beira do rio, trata-se de um dos mais belos exemplares arquitetônicos de Correntina. Uma verdadeira obra de arte refletindo a genialidade, o bom gosto estético, a boa ciência de construção, e espaço sócio-comercial da sociedade correntinense. Um monumento que guarda a história social da nossa gente, que exibe a identidade do nosso povo, além de ostentar a autoestima dos habitantes. Nele as pessoas por longos anos se encontravam para vender, comprar, socializar, partilhar sonhos e trocar informações familiares; um verdadeiro centro de convivência. Portanto, algo inconcebível de desaparecimento. Um patrimônio inegociável, intransferível e inarredável. Destruí-lo, seria um crime! Vendê-lo seria, uma traição! Subutilizá-lo, seria um desperdício…

Imagem extraída do grupo Relíquias de Correntina (facebook)
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Muito embora um vereador tenha se apressado em desfazer, tempestivamente, a informação do Portal de Correntina, é prudente que fiquemos em alerta. Mesmo que a intervenção do representante do povo venha carregada de argumentações tais, que nos faça inclinar pela confiabilidade das garantias do parlamentar.

Imagem extraída do grupo Relíquias de Correntina (facebook)
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Pelo seu comportamento, talvez seja Correntina uma das poucas cidades que conheço, a negligenciar o seu patrimônio histórico-cultural, suas raízes identitárias, seus recursos naturais, sem a justa, equilibrada, responsável e inteligente exploração de suas riquezas. Essa desatenção vem de longe. Esse descaso ocorre em efeito cascata, configurando numa atitude absurdamente incompreensível. Percebe-se que a cidade carece de mais pessoas com o zelo e o cuidado pela nossa memória cultural como Wedem Sordi, Louro de Maninho e alguns poucos mais…

Imagem extraída do grupo Relíquias de Correntina (facebook)
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Não se trata aqui de opor-se ao “progresso.” Contudo, não se justifica matar a história, a tradição e a identidade de um povo, em nome do capital, dos conluios de conveniências e da famigerada corrida pelo lucro. Respeitem a nossa gente! Respeitem o nosso antepassado e as nossas memórias…

 

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