Publicado em 30/1/2025, às 18h38

Gecilio Souza – Graduado em filosofia pela PUC-GO, mestre em filosofia pela UFG, Bacharel em direito pela UniCEUB, professor, Cordelista e poeta

A CORPOFOBIA
Por Gecílio Souza

Foto ilustrativa.

A essência do ser humano
É sua própria humanidade
Que consiste no conjunto
Ou na imensa variedade
Das próprias características
Por isto a complexidade
Nascimento e crescimento
Sensação e racionalidade

Aspirações e vontade
Conflitos existenciais
Porque a ideia da morte
Inquieta os mortais
Ninguém é deus de ninguém
Enfim os eus corporais
São variações humanas
Correlatas aos animais

Foto ilustrativa

Então todos são iguais
Substancialmente falando
Cada corpo é uma história
Ao mundo se revelando
Com suas idiossincrasias
Seu ser se comunicando
Proprietário de si mesmo
Em si próprio mergulhando

Mas quem segue imaginando
Que aos outros é superior
É destituído e vazio
Não só de empatia e amor
Lhe faltam sensibilidade
Sabedoria e pudor
Em última instância ele é
Um miserável sofredor

O racismo é revelador
Do caráter do racista
Que covarde se esconde
Na cortina narcisista
Ele pensa pela pele
A mesma lhe ofusca a avista
Nega-se ao negar o outro
Autonegação de sadista

Foto ilustrativa

A pessoa humana é mista
De razão e sentimentos
E não pode ser definida
A partir dos pigmentos
O órgão que nos reveste
Tem múltiplos revestimentos
O mal não mora na pele
Reside nos pensamentos

Os espíritos fedorentos
São fortes como vidraças
O cérebro é lixo ardendo
E as ideias são fumaças
Prisioneiros de si mesmos
Detidos nas carapaças
Na prisão da própria pele
Que transpira suas desgraças

Um dia bactérias e traças
De todos se alimentarão
Não importa a cor da pele
Nosso destino é o chão
Ele não tem preconceito
Tampouco faz distinção
Os pretensos superiores
Aos míseros se igualarão

Cor, dinheiro e posição
Não revertem o destino
Podem até contribuir
Em favor do peregrino
Alongando a existência
Como meio de ensino
Mas muitos não absorvem
O aprendizado genuíno

Feito um gigante traquino
Canibal assustador
O tempo devora os filhos
Independentemente da cor
Ele cronometra o mundo
A vida, o prazer e a dor
Não deu poder a um corpo
Para a outrem se sobrepor

Foto ilustrativa

Cada ser vivo é um valor
À própria vida inerente
Que se expressa pelo corpo
Singular e diferente
E a pele é uma identidade
A este corpo pertencente
Porém ela não define
O ser humano obviamente

Aplicável e pertinente
Ao assunto aqui tratado
É a sentença de Heráclito
O pré-socrático consagrado
Segundo o qual a razão
Ou Logos assim chamado
Iguala todos os humanos
Como ficou demostrado

Sócrates reforçou o recado
Quando em certa ocasião
Reagia em praça pública
Aos sofistas de expressão
Numa análise antropológica
Deu esta definição
O homem é a sua Psiché
Leia-se alma ou razão

Foto ilustrativa

Depois foi a vez de Platão
Emitir o seu parecer
O homem é um ser tripartido
Conforme se pode ver
Almas racional e irascível
E a concupiscente a saber
Razão, coragem e vontade
Desejos, impulsos e prazer

Exemplos para se entender
O valor da diversidade
Não importa a cor da pele
Mas a vida e a dignidade
As diferenças exprimem
Os contornos da liberdade
Todos os humanos possuem
Direito à felicidade

Em nome da igualdade
No sentido já descrito
Saudemos as diferenças
Elas são o pré-requisito
Do saudável pluralismo
Fisiológico ou irrestrito
Como ideias e concepções
Aspecto humano bonito

Foto ilustrativa

Não há juiz nem perito
Da mais nobre formação
Capazes de julgar almas
Pele, corpo ou coração
A rigor todos estamos
Na mesmíssima condição
Destinados a virar pó
Sentença sem reversão
Qualquer discriminação
É estúpida e irracional
Sintoma da enfermidade
Psico-intelectual
Cuja cura é a educação
E um justo sistema penal
Para instruir e mostrar
Que a sociedade é plural

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