Publicado em 2/1/2026, às 6h10.

Gecilio Souza – Graduado em filosofia pela PUC-GO, mestre em filosofia pela UFG, Bacharel em direito pela UniCEUB, professor, Cordelista e poeta.

A MARKETINCRACIA
Por Gecilio Souza

Imagem ilustrativa.

Quando o assunto é política
Costuma crescer a demanda
Porque os oportunistas
Aumentam por toda banda
Frenéticos fazendo apostas
Na tresloucada ciranda
E o gestor se substitui
Pela falsa propaganda

Do alto de sua varanda
O suposto gestor espia
A dinâmica da cidade
Na qual ele não confia
Mas simula confiança
Calculando que algum dia
Tornará a valer-se dela
E do voto da maioria

Cria a Marketincracia
Para ocultar a incompetência
Então o poder do marketing
Preocupa-se com a aparência
Quem governa é a propaganda
Conforme a conveniência
O marketing é que deve ser
Tratado de excelência

Imagem ilustrativa.

Aos de boa consciência
O marketing jamais seduz
Este maquia a mentira
E novas mentiras produz
Seu lance é manipular
A manipulação se traduz
Em incutir no ingênuo
Culpa pela própria cruz

Normalmente falta luz
Às vezes a semana inteira
Todo dia em algum bairro
Não há água na torneira
As desculpas são antigas
Mas a nova brincadeira
Esconde-se na propaganda
Que nunca foi verdadeira

O marketing vai pela beira
E manipula o inocente
Propaga eventos festivos
Que fascinam muita gente
Nisto o suposto gestor
Esfrega as mãos de contente
Pois ele sabe que as festas
Têm efeito entorpecente

Imagem ilustrativa.

Não se pode ficar doente
Pois os riscos são reais
De a doença evoluir-se
Por falta de profissionais
Grave e desesperador
O drama dos hospitais
Insuficiente equipe médica
E carências estruturais

Mudanças superficiais
Na estética da cidade
Para dar boa impressão
O melhor é festividade
A educação e a saúde
Seguem sem prioridade
E os crimes ambientais
Crescem com intensidade

Se o marketing é autoridade
Genéricas são suas respostas
Mas quando é interpelado
Ele dá mil e uma voltas
A propaganda é engodo
Um balaio de lorotas
Método de encantar tolos
Sorriso e tapinhas nas costas

Imagem ilustrativa.

Costuma fechar as portas
Na cara da população
Que de forma organizada
Fizer-lhe reivindicação
Ou escapa pelos fundos
O simpático de ocasião
E designa algum preposto
Mentiroso de plantão

Este é para dizer NÃO
Com o semblante carregado
O Sr. Marketing não está
Paradeiro é ignorado
Mas o preposto é parente
Muito bem orientado
E marketing está na fazenda
Cuidando do próprio gado

Não tolera ser cobrado
O marketing enganador
Expõe sua incompetência
Culpando o antecessor
Recrudesce os defeitos
Do agora seu opositor
Marketing jamais governa
Ele embrulha o eleitor

Com a pinta de gestor
Marketing sempre vai e vem
Se em gestão ele é péssimo
De retórica é ruim também
Cativa os bajuladores
Que o aplaudem e dizem amém
Seu histórico questionável
Não expõe para ninguém

Da polis ele faz refém
Parece ser bom de bico
Marketing foge do debate
Se debater paga mico
A história é testemunha
Não é fake nem fuxico
Ao assumir tem dinheiro
Mas ao sair sai mais rico

Reabilita o “pão e circo”
Tão comum na Roma antiga
Marketing aprecia festas
A população que o diga
Quando ele toma a palavra
Estufa o peito e a barriga
Para autoelogiar-se
O mesmo discurso mastiga

Imagem ilustrativa.

Para o essencial não liga
Importa é com a fotografia
Sorrir e apertar a mão
Filmar a falsa simpatia
E a polis estacionada
Na vaga da hipocrisia
Marketing está no poder
Eis a marketincracia

Nas sombras do dia-a-dia
Marketing age como vivo
Sua excelência precifica
O venal legislativo
Que sempre lhe diz amém
Sem o mínimo corretivo
Pois na marketincracia
Faturar é o objetivo

Ganancioso compulsivo
Marketing cede à vaidade
Seus atos propagandísticos
Não mudam a realidade
Lhe falta uma oposição
Numérica e de qualidade
O bem da marketincracia
É o retrocesso da cidade

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