Publicado em 16/1/2025, às 8h11.

Gecilio Souza – Graduado em filosofia pela PUC-GO, mestre em filosofia pela UFG, Bacharel em direito pela UniCEUB, professor, Cordelista e poeta

O ECLIPSE DA RAZÃO
Por Gecílio Souza

Imagem ilustrativa.

Aspectos fundamentais
Da vida em sociedade
Precisam ser resgatados
Em sua profundidade
Ideias e conceitos básicos
Legados da antiguidade
Sempre contextualizados
Por dever e necessidade

Eles são na realidade
A base da civilização
Filosofia, ética e política
O tripé da educação
Cultura, arte e ciência
Integram a composição
Que embala o progresso
Na mais abrangente expressão

Mas há uma conjugação
De fatores negativos
Historicamente forjados
Ou mantidos nos arquivos
Dos criadores de valores
Homens fortes e operativos
Que manipularam as massas
E seus métodos seguem vivos

Imagem ilustrativa

Inventaram os atrativos
Eficazes e transversais
Que aprisionam multidões
Entre eles os principais
O circo, o jogo e o vício
E os milionários carnavais
Outras drogas mais recentes
São as redes sociais

Os humanos racionais
Deveriam raciocinar
Mas romperam essa lógica
Parece que dói pensar
O cérebro anestesiado
Pelo fútil e o vulgar
Dialogam com o abismo
Sem verem o tempo passar

Não sabem questionar
Com a devida pertinência
Falam de ética e valores
Mas desconhecem a essência
Prestam culto à ignorância
Valorizam a aparência
Cobram a honestidade alheia
E vivem na incoerência

Imagem ilustrativa

Pois lhes falta consistência
E teórico conhecimento
Sua lâmpada é o senso comum
Ou empírico entendimento
Trafegam na superfície
Sem qualquer aprofundamento
O grosso da sociedade
Carece de esclarecimento

Há uma classe ou segmento
Que lucra com a ignorância
Até fala em educação
Mas não lhe dá importância
Concentra e domina tudo
Tem dinheiro em abundância
O que lhe falta de escrúpulos
Lhe sobra de arrogância

Matéria sem substância
Alma estéril e vazia
A classe inescrupulosa
Por qualquer motivo chia
Vê-se dona da política
Do saber e da economia
Hoje ilude multidões
Usando a tecnologia

Imagem ilustrativa.

Aprisiona a maioria
No cárcere da virtualidade
Convence seus prisioneiros
Sem muita dificuldade
De que ali é o ambiente
Que abriga a felicidade
Os presos confundem o cárcere
Com a ideia de liberdade

Um misto de ingenuidade
E ausência de instrução
Constitui-se em motivos
Desta irracional adesão
Ao projeto dos infames
Por parte da população
Eles agem com má fé
E absoluta convicção

Atiraram a ética ao chão
Subverteram a moral
O Deus-Pátria-e-Família
É uma siririca verbal
Conspiram contra o saber
Num sectarismo total
Vírus anti-filosófico
Síndrome do irracional

Imagem ilustrativa.

Propagadores do mal
Discípulos da indecência
Seu combustível é a vingança
Sua índole é a incoerência
Narcisistas ao extremo
Maldosos por excelência
A sociedade precisa
Demiti-los com urgência

Pelo bem da inteligência
E da percepção crítica
O juízo há de entender
A corriqueira estatística
Que aponta o vácuo ético
E o desprestígio da política
Trocaram da filosofia
Pela educação casuística

A metodologia analítica
Urge ser reabilitada
E a leitura de bons livros
Novamente exercitada
Que a lâmpada civilizatória
Seja outra vez acionada
Para que o saber liberte
Essa gente alienada

A luz que foi apagada
Por força da escuridão
Seja restabelecida
E impere seu clarão
Filosofia, libertai
Essa gente da prisão
Ponha fim o quanto antes
Neste eclipse da razão!

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