Publicado em 22/1/2025, às 22h15

Laércio Correntina abre os 40 anos da sua carreira com shows na região
Teonei de Araújo Guerra*

Uma apresentação em Santa Maria da Vitória, outra em Correntina, e a terceira em Coribe. Foi com três shows aqui no oeste baiano, que o cantor e compositor Laércio Correntina iniciou a sua temporada de 2026, quando comemora os 40 anos da sua caminhada artística. Apresentações que ocorreram em um único fim-se-semana, nos dias 16, 17 e 18 de janeiro.
O artista reside em Goiânia, capital do estado onde concentra grande parte da sua carreira.
As apresentações formaram uma tríade musical que embalou corações, e fez o público dos eventos cantar e se emocionar com acordes da legítima MPB, a batida forte e enérgica do reggae e o som envolvente do rock progressivo e ao mesmo tempo psicodélico do Pink Floyd. Numa mistura musical que teve ainda outros ritmos, e sempre faz a felicidade de quem gosta da música de qualidade.

“Nessas apresentações, a gente teve uma receptividade muito boa”, disse Laércio Correntina, demonstrando satisfação por encontrar um público apaixonado pela MPB e outros ritmos que há décadas fazem a trilha sonora na vida de várias gerações. “É uma prova da ótima qualidade da música que embalou a nossa geração, nos anos 1970, 80 e 1990, e se mostra imortal, tendo lugar de destaque ainda hoje”, comemorou.
Ao falar dos 40 anos de carreira, o cantor explicou que, desde muito cedo já compunha e cantava, mas a “carreira profissional” começou em 1986, na cidade de Inhumas, quando tinha 19 anos de idade e ganhou o Gremi, o festival de música do Grêmio Inhumense, do qual participaram artistas renomados da música goiana. “Eu inscrevi muito despretensiosamente a canção Manakereki – composição de Wanda e Adalto -, e ganhei o festival”. Daí a carreira amadora tomou um novo rumo, tendo sido convidado pela União Nacional de Estudantes, a UNE, para abrir um show que tinha como as atrações principais: Belchior, Gonzaguinha, Carlos Lyra e Geraldo Azevedo. “Ali foi o ponto de partida da minha vida profissional; passei a me ver como profissional da música”, confidenciou.

A partir daí, sua carreira ganhou novo rumo, tendo participado de festivais no interior de São Paulo e no Espírito Santo, “onde ganhei outro”, e a cantar em bares em Goiânia, Belo Horizonte, Brasília e Salvador, além de investir em produzir uma obra própria, com três discos: “Break Tupiniquim”, o “Eu Canto” e o “Esteta”, lançados respectivamente em 1986, 1992 e 2005.
Graduado em filosofia, Laércio Correntina, desde o início da carreira se interessou pela música regional brasileira – as canções feitas por compositores que ele denomina de “cancioneiro popular”. Gênero que passou a fazer parte dos seus shows. E sempre ligado à filosofia, vem, ao longo de todos esses anos, agregando novos valores musicais, novas tendências que surgem como conceitos inovadores da música. O que classifica como “diversidade dentro da autenticidade”. Ou seja, variações que inovam um estilo musical sem haver perda da sua identidade, do que pode ser considerado sua “raiz”.

Ao falar sobre a sua expectativa para o ano de 2026, Laércio Correntina vê o ano que se inicia como de continuidade do ano passado, com shows importantes, como duas apresentações feitas em 2025, que “somaram muito na minha vida profissional: uma apresentação no FICA o Festival Internacional de Cinema e Vídeo, realizado na cidade de Goiás, e o Canta Primavera, um festival de música realizado em Pirenópolis (GO)”. Nesse sentido, pretende manter o ritmo de shows que teve no ano passado: “uma agenda repleta”, como diz. De início, o cantor já tem garantido a sua presença no Carnaval de Correntina, convidado que foi para três apresentações.
Nesse Carnaval, Laércio Correntina vai, a exemplo do ano anterior, homenagear a música de carnaval baiana, relembrando Dodô e Osmar. Apresentações que ele fará acompanhado dos músicos que formam a banda que fazem os seus shows, mais um guitarrista de Salvador, Aderson Sil – que foi fundador da Banda Eva -, que vai tocar guitarra baiana, e a cantora Soyla Stéter, que vai cantar umas coisas do Axé.

No mais, o cantor pretende manter nos seus shows, no seu repertório, o que ele considera “a memória estética e cultural da música popular brasileira”, juntando a ela, clássicos da música internacional que estão na sua memória afetiva, como os clássicos de Bob Marley, Pink Floyd, e a música nordestina.
*Teoney de Araújo Guerra é jornalista provisionado, colaborador do Jornal de Correntina.





