Publicada em 29/3/2026, às 17h17.

Vanilson Cardoso – Bacharel em Filosofia e Bacharelando em Teologia.

Da Freguesia Colonial à Cidade Carícia: a formação histórica de Correntina

A Correntina de hoje, conhecida nacionalmente tanto por seus atrativos turísticos quanto por suas lutas territorialistas em defesa dos recursos naturais, especialmente da água, já foi, no passado, a Freguesia de Nossa Senhora da Glória do Rio das Éguas.

Foto divulgação

Sua formação histórica remonta ao período colonial, ao longo do século XVIII quando a ocupação do oeste baiano se deu a partir das frentes de expansão da busca do ouro e das rotas de comunicação que ligavam o sertão ao litoral.

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Nesse contexto, a região se desenvolveu às margens de importantes cursos d’água, como o então Rio Rico posteriormente Rio das Éguas, elemento fundamental para a fixação populacional e para a organização econômica local.

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A região ainda era ocupada por população indígenas em diversas regiões ribeirinhas como: Tatu, Bom Sucesso e Arrojado. A mais conhecida e reconhecida pelos os achados arqueológicos é a então aldeia que existiu nas margens do rio do meio. Achados de restos mortais e artefatos remanescentes da aldeia que existiu ali nas proximidades da comunidades de vau (hoje pertencente ao município de Santa Maria da Vitória) Mato A’Dentro e Jacaré, comprovam que houve naquela região uma civilização de povos originários que utilizavam da terra, grutas e principalmente do rio como meios de sobrevivência e desenvolvimento de técnicas. Partes dos artefatos se conservam no museu municipal da cidade.

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Registros ainda indicam que, por volta de 1750, já havia presença de fazendas e núcleos de povoamento na região, favorecidos pela abundância de água e pelas condições naturais propícias à criação de gado. A organização religiosa do território ganha forma com a criação da freguesia, oficialmente estabelecida no final do século XVIII sendo tradicionalmente situada em torno de 1790, sob a invocação de Nossa Senhora da Glória do Rio das Éguas. A instalação da freguesia representou um passo decisivo para a consolidação social da localidade, uma vez que a Igreja exercia funções não apenas espirituais, mas também administrativas e culturais.

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Uma grande Rival da Freguesia do Rio das Éguas foi a então Arraial do Porto de Santa Maria da Vitória.

O imbróglio se deu assim: a povoação, inicialmente chamada Arraial de Nossa Senhora da Glória do Rio das Éguas, foi elevada à categoria de freguesia em 1806. Posteriormente, em 15 de maio de 1866, pela Lei provincial nº 973, tornou-se Vila, com instalação oficial em 13 de maio de 1867, desmembrando-se de Carinhanha.

Em 8 de junho de 1880, pela Resolução nº 1960, a vila foi extinta, e sua sede transferida para o Arraial do Porto de Santa Maria da Vitória por conta da viabilidade promovida pelo o Rio Corrente por meio do Porto. Contudo, em 14 de maio de 1886, a Resolução nº 2558 restaurou a Vila de Nossa Senhora da Glória do Rio das Éguas. Pouco depois, em 4 de maio de 1888, a Vila foi novamente suprimido.

A restauração definitiva da vila ocorreu em 5 de maio de 1891, por meio do Ato estadual nº 319, assinado e descretado agora como Correntina.

Finalmente, em 30 de março de 1938, pelo Decreto Estadual nº 10.724, autorizado pelo Decreto-Lei Federal nº 311, a vila foi elevada à categoria de Cidade.

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Ao longo do século XX, especialmente a partir da década de 1970, a região passou por transformações significativas com a expansão da fronteira agrícola no oeste baiano, impulsionada por políticas de modernização e pela chegada do agronegócio. Esse processo trouxe crescimento econômico, mas também gerou tensões relacionadas ao uso intensivo dos recursos naturais.

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Tais tensões culminaram em episódios recentes de grande repercussão nacional, como as manifestações de novembro de 2017, quando comunidades locais se mobilizaram contra a captação excessiva de água por grandes empreendimentos agrícolas. Esse evento projetou Correntina no cenário brasileiro como símbolo de resistência socioambiental.

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Como conclusão, a trajetória histórica de Correntina revela não apenas um caminho marcado por transformações político-administrativas, mas também a construção de uma identidade profundamente enraizada em seu território. Suas belezas naturais, expressas na abundância de rios de águas cristalinas, nas paisagens do cerrado e na harmonia entre homem e natureza, constituem um dos traços mais marcantes do município. O seus afluentes não são apenas elementos geográficos, mas verdadeiros símbolos de vida, cultura e pertencimento para o povo correntinense.

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É nesse contexto que emerge a expressão “cidade Carícia”, título que traduz, de forma sensível, a experiência de acolhimento, tranquilidade e encantamento proporcionada por Correntina. A suavidade de suas águas, o ritmo sereno da vida local e a hospitalidade de sua gente configuram uma espécie de “carícia” oferecida tanto aos moradores quanto aos visitantes. Assim, Correntina afirma-se não apenas como um espaço geográfico ou uma construção histórica, mas como um lugar de encontro, cuidado e beleza, onde natureza e cultura se entrelaçam de maneira singular.

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Referências:Fotos Antigas – Domínio Público / Site do IBGE / Grupo Relíquias de Correntina / Facebook/ Internet

Biblioteca do IBGE – https://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html?id=35733&view=detalhes

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