Publicado em 1º/3/2026, às 16h33.

Texto de FredBar

Chu: O Luxo da Simplicidade
Por FredBar

 

Simplicidade é um luxo que poucos terão o prazer de viver em sua passagem pela vida. Hoje, em um mundo onde demonstrar o que se tem para impressionar quem você nem conhece se tornou comum, ainda temos o privilégio de conviver com pessoas que, por gosto e autenticidade, preferiram fazer morada na simplicidade, na essência do seu ser, sem copiar ninguém, moldando lentamente o quase nada.

Sabe aquela pessoa que conhecemos na infância e que, quando encontramos hoje, parece que o tempo a conservou? Não é que essa pessoa não tivesse ambição; é que o mundo dela era o bastante. Os amigos, o trabalho — tudo era suficiente para sua felicidade.

Quero aqui falar de Chu.

Uma pessoa que não foge às regras do nordestino nato. Poucos sabem seu nome de origem, pois aqui no Nordeste isso pouco importa. Quando gostamos de alguém, logo encontramos um apelido — às vezes uma abreviação do nome, às vezes algo que define a profissão ou uma característica marcante. Com Chu não era diferente.

Para elevar sua bola, alguns o chamavam de “Jumentão”, para descrever a vitalidade sexual tão exaltada por ele. Outros o chamavam de Chu, outros de Chuit. Eu, que tive o prazer de fazer parte desse círculo de amigos, pude conhecer algumas histórias peculiares de Chu.

Uma delas é que ele só aprendeu a tocar instrumento porque viu os músicos comendo primeiro na Festa do Divino. Então decidiu aprender música para ter esse privilégio. Outra curiosidade era o local onde praticava: sempre à beira do rio, em um lugar isolado. Muitas vezes, ao encontrá-lo nesses cantos, eu dizia que ninguém no mundo tinha plateia melhor que a dele: a natureza.

Outra coisa que talvez poucos saibam é que ele nunca faltou um dia sequer ao trabalho, até sua aposentadoria.

Assim, quero deixar minha admiração por esse ser tão autêntico, que fez parte do cotidiano da nossa cidade, levando sua alegria e suas brincadeiras nas rodas de amigos. Acredito que todos nós que aqui vivemos fazemos parte da composição da nossa cidade, cada um do seu jeito, sendo o mecanismo que Deus determinou.

Hoje, Correntina perde um pedacinho de si nesse círculo que é a vida. Só nos resta agradecer a Deus por ter colocado esse ser tão especial em nosso convívio. Sentiremos sua falta, mas com um misto de alegria por termos conhecido um homem que viveu no luxo da simplicidade.

1 COMENTÁRIO

  1. Chuit, um amigo de infância…! hábil e ligeiro, de percepção aguçada. Meu grande amigo e colega de infância. Época em que negociavamos carrinhos de brinquedo entre nós e, ele, sempre levava a melhor… Muito inteligente para os negócios, carregava com simplicidade essa aptidão. A sua repentina partida é, de fato, uma perda irreparável para Correntina. Nós, que o amamos, desejamos o Céu para ele, com toda a sua corte angelical!

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