Publicada em 17/4/2026, às 16h20
CORRENTINA, TERRA DE MIGRANTES E OÁSIS DOS RETIRANTES
Era para ser uma terra de passagem, porém muitos ficaram e não passaram daqui. Ficaram porque encontraram o que, em vão, procuravam em outras terras. O oásis é constituído de cinco rios caudalosos e perenes, margeados por matas virgens e terras férteis. Eis a razão pela qual viandantes e retirantes instalaram-se com suas matulas de poucos pertences, nas relvas macias deste chão.
Plantaram roças e constituiram famílias, contribuindo com o crescimento demográfico local. De origens diversas e sonho comum, partiam de seus locais à procura de um destino, por vezes, incerto. Foi exatamente nesse cenário que a minha parentela, como tantas outras tocadas pela dura seca de Brotas de Macaúbas, instalou-se em Correntina. Ali, uma parte se estabeleceu e ramificou, enquanto a outra rumou-se para Goiás, fixando sua moradia em algum bairro da capital goiana. Enquanto isso, o conjunto de bens e belezas naturais atraiu cada vez mais os exauridos retirantes que por aqui passavam.
Mas hoje, aquilo que tanto encantou e garantiu a vida e o bem estar de todos os seres vivos, está profundamente ameaçado. Campinas, veredas, nascentes e animais são escorraçados por máquinas e automóveis de grande porte. Isto é a síntese do paradoxo capitalista: lucros astronômicos de um lado e incalculáveis prejuízos de outro. A ganância e a sanha de lucrar reduz tudo a cinzas. Mas o próprio sistema cria mecanismos manipuladores eficazes contra o despertar das consciências. Consequentemente, muita gente finge não ver a dramática realidade que avilta a condição humana, como se por ela não fosse corresponsável. Certamente a história cobrará a fatura da irresponsabilidade dos que, movidos pelo imediatismo econômico, submete coletividade aos previsíveis riscos. Se não houver uma reversão deste quadro, como vislumbrar um futuro seguro e para as gerações seguintes? É grave e preocupante a possibilidade da atual geração manter-se refém dessa terrível indiferença. Sem querer sucumbir-me ao extremo pessimismo, estou convicto que os defensores das causas mais nobres continuarão sendo tratados como inimigos do progresso. Definitivamente, vivemos num contexto de inversão de valores, pois aqueles que criminosamente destroem, incendeiam, desmatam, poluem, saqueiam e se apropriam dos recursos naturais, são tidos como verdadeiros defensores do desenvolvimento e da soberania. Enquanto isso, o município sangra e dos seus mananciais já não saem mais águas cristalinas. Pelo contrário, de suas veias exala o silencioso veneno, irmão siamês do dinheiro e absolutamente deletério à vida. No ritmo que a coisa vai, mais dia menos dia não restará “pedra sobre pedra.”, tudo será consumido e devorado pela estúpida ganância dos insensatos e pela inércia da sociedade.





