Publicado em 10/1/2025, às 13h50

Reafirmando o meu ponto de vista
Teonei de Araújo Guerra*

“Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. A frase acima, dita pela escritora britânica britânica Evelyn Beatrice Hall, é considerada, em todo mundo, como uma das mais célebres em defesa da liberdade de expressão. E – é claro – concordo com a mesma.

Inicio este artigo com essa frase para indicar que considero normal tanto as opiniões que concordaram com o ponto de vista que emiti no artigo que escrevi, intitulado “Correntina não terá mais Carnaval”, publicado neste jornal no dia 5 de janeiro deste ano, assim como com as que divergiram.

Acrescento apenas que aceito as críticas, mas me reservo o direito de não concordar com elas, o que é um direito que me assiste. E vou relatar aqui, as razões que me fazem não concordar. As contestações, assim como as concordâncias, se deram no portal do Jornal de Correntina – onde o texto foi publicado -, nos comentários, assim como em mensagens que recebi pelo whats app.
No referido artigo, critico a descaracterização que está havendo no Carnaval de rua em Correntina – descaracterização que acontece também em outras cidades. E ao meu ver, tem por objetivo, atender aos interesses econômicos e financeiros dos produtores e empresários que dominam o mercado fonográfico-musical brasileiro.
Os principais argumentos de quem discordou do meu ponto de vista são de que “os tempos mudam”, “os gostos mudam”, que a cultura é um “organismo vivo, sujeito a mudanças”. Acontece, porém, que o Carnaval, assim como os festejos juninos, é uma “festa de época” e “tradicional”. Acredito estar aí a diferença entre o meu modo de ver o Carnaval, do modo como outras pessoas o veem. E uma “festa de época”, diferentemente de outros festejos, é uma festa “especial”, uma “celebração temática”, exclusiva para um período. A própria razão do Carnaval tem essa característica, “é um período de folia antes de quaresma”, e tem como essência “a subversão da ordem social”, como pode ser visto em uma simples pesquisa no google. Não é uma festa igual às que ocorrem em qualquer mês do ano, com as mesmas atrações, ritmos e músicas; é “diferenciada”, é “exclusiva!”.
Outra argumentação que contesta meu ponto de vista, é que a “tradição não é estática”, com a qual também não concordo. Entendo que a “tradição” deve ser preservada na sua essência. O verbete “tradição” é definido como “herança cultural”, “legado de crenças, técnicas, etc.” Assim, como se poderá cultuar uma “tradição” se cada geração a alterar, subvertê-la, de acordo com a conveniência de cada época?
Pode ser que o leitor que leu o meu artigo anterior esteja agora questionando-me, por eu concordar com as alterações, as “inovações” introduzidas por Dodô e Osmar, Moraes Moreira, Luiz Caldas e a Axé Music na forma como se brincava o Carnaval até então. Devo argumentar que, o que Dodô e Osmar e Moraes Moreira fizeram foi adicionar a “baianidade”, dar ao festejo, o jeito baiano de ser. Uma vez que os blocos tradicionais de samba e marchinhas continuaram a fazer parte do Carnaval de rua que se fazia. Quanto à Axé Music, até hoje eu sou um cético quanto à sua inclusão nesse festejo. Tenho as minhas discordâncias.
Aliás, há alguns anos, está em curso, especialmente em Salvador, um debate sobre a introdução do Axé no Carnaval de rua da cidade.
No mais, fica para a análise do leitor essas visões diferentes do Carnaval; o debate de ideias, que faz parte da nossa vida, da democracia, e é sempre salutar. E acho que o poder público, bem que poderia participar desse debate, até, incluindo os festejos juninos, que, como o Carnaval, está sendo descaracterizado.
Fica aqui, portanto, a minha reafirmação ao ponto de vista que externei no meu artigo anterior, aceitando as “críticas”, apesar de não concordar com elas, mas sempre respeitando a forma de pensar de quem pensa diferente de mim.
*Teonei de Araújo Guerra é jornalista provisionado, escritor e colaborador do Jornal de Correntina.






CONCESSA MÁXIMA VÊNIA, REAFIRMO TAMBÉM MINHA DISCORDÂNCIA!
O ilustre Tony Guerra defende e reafirma seu posicionamento, verberando que o Carnaval é uma “festa de época” e “tradicional” que deve ser preservada em sua essência. No entanto, discordo, em parte, vez que é importante lembrar que a cultura é um processo dinâmico e em constante evolução.
Duvida não resta de que a mudança é uma característica natural em qualquer sociedade. As mudanças nos gostos e nas preferências musicais são um reflexo dessa evolução.
Ademais, a inclusão de novos ritmos e estilos musicais não necessariamente descaracteriza o Carnaval, mas sim o renova e o atualiza. A tradição não é estática, mas sim um processo vivo que se adapta às novas realidades e contextos.
Me ajusto no propósito de que a preservação da essência do Carnaval não significa congelar o passado, mas sim incorporar as mudanças e inovações de forma a manter a identidade e a autenticidade do festejo.
“Ad argumentandum tatum” (apenas para argumentar), sugiro que em vez de se opor às mudanças, seria de suma importacia encontrar um equilíbrio entre a preservação da tradição e a inovação, para que o Carnaval continue a ser uma festa vibrante e autêntica ao nível e ao gosto dos correntinenses e dos foliões de outras plagas que são atraídos para Correntina em razão da folia momesca.
O respeito mútuo, mesmo diante de divergências de opinião, é um pilar fundamental da convivência social e do debate saudável.
É como penso!!!