Publicado em 1º/3/2026, às 17h44
Escola em reforma, aulas no Improviso. Mais um ano letivo entre entulhos!

A situação da Escola Municipal Idalina Avelina de Castro não é de hoje, mas agora chegou ao limite. O ano letivo de 2026 vai começar e a escola continua em reforma. Salas ainda não estão prontas, faltam portas e janelas, os banheiros não foram concluídos, a cozinha segue inacabada e outros espaços essenciais simplesmente não têm condições de uso como mostram as imagens. Mesmo assim, as aulas estão previstas para começar. Mais uma vez, no improviso.



O que aconteceu no ano passado foi ainda mais grave. Parte dos estudantes foi enviada para uma extensão que, no início, funcionava ao lado de um depósito de gás situado no próprio bairro. A comunidade se mobilizou porque sabia do risco. Depois da pressão, transferiram os alunos para uma igreja, também sem estrutura pedagógica adequada.
Na parte da escola que permaneceu funcionando, as crianças ficaram sem o momento de recreio porque o pátio estava tomado por material de construção e poeira. Estudaram cercadas por entulho, ferragens e máquinas. Em algumas salas, ficaram expostas ao sol após a retirada de parte do telhado. O barulho constante da obra tornava o ambiente impróprio para qualquer concentração. Construção civil e aprendizagem não combinam. O ano passado foi marcado por risco e improviso.

E quando falamos de responsabilidade, é impossível não lembrar da gestão passada. Foram mais de 45 milhões de reais em precatórios do FUNDEF, um valor que poderia ter transformado completamente a realidade das escolas do município. O montante era suficiente para construir unidades novas em todas as comunidades e na sede, Mas isso não aconteceu. A gestão anterior desrespeitou a população e os trabalhadores da educação ao esfacelar um montante tão significativo sem deixar resultados compatíveis com o dinheiro recebido. A comunidade não esqueceu. Essa história ainda está fresca em nossas memórias. Mas o erro de ontem não pode servir de desculpa para a falta de solução hoje.


Diante desse cenário, insistir em iniciar as aulas dentro de um prédio em reforma é repetir o erro do ano passado. Por isso, defendemos uma medida simples e viável: que os estudantes sejam provisoriamente alojados em outro espaço público até a conclusão da obra.

O prédio onde funcionava o antigo Duque de Caxias é uma alternativa real. Trata-se de um espaço amplo, público, com condições de atender temporariamente a demanda da Escola Idalina. É um prédio que pertence ao poder público e, portanto, é direito da população utilizá-lo em benefício da própria comunidade.

O governador Jerônimo Rodrigues recebeu um novo espaço público para a construção da escola estadual, o que torna ainda mais necessário que o antigo prédio não fique ocioso enquanto estudantes da rede municipal enfrentam o caos. Se há um espaço público disponível, ele deve cumprir função social. E, neste momento, a prioridade deve ser garantir condições dignas para nossos alunos.

O Jornal de Correntina sugere, de forma responsável e respeitosa, que a gestão municipal providencie, junto ao governo de estado, a utilização do prédio do antigo Duque de Caxias como medida emergencial até que a reforma da Escola Idalina seja concluída de forma definitiva.

É fundamental que os trabalhadores da educação e toda a comunidade escolar se posicionem. É preciso exigir condições dignas de trabalho e de aprendizagem. Não é razoavél aceitar que crianças iniciem o ano letivo em meio a obra, barulho e risco. A educação não é faz de conta. A solução existe. O espaço existe. O que precisa existir agora é decisão e responsabilidade. Nossos estudantes merecem respeito






A Educação nunca é prioridade, ainda ousam falar em escola militar, o erro da gestão passada se repete na atual, em tratar a educação para depois.