Publicado em 19/4/2026, às 6h45.

Getúlio Cardoso Reis é oficial da reserva da PMBA, bacharel em direito, pós-graduado em Direito Civil e Processo Civil, pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal; pós-graduado lato-sensu em Administração Pública.

CORRENTINA: RIQUEZA QUE SAI PELA PORTEIRA E O SILÊNCIO QUE PRECISA ACABAR
Por Getúlio Reis

Correntina é, hoje, o retrato de uma injustiça econômica escancarada e, ao mesmo tempo, de uma omissão política antiga que já não pode mais prosperar e nem ser tolerada.

Somos um dos maiores produtores agrícolas da Bahia. Produzimos com qualidade, em larga escala, com terras férteis, água abundante e localização estratégica. Temos, em tese, tudo o que qualquer grande empreendimento agroindustrial procura.

Mas a pergunta que insiste em incomodar e que precisa ser feita sem rodeios é: por que, então, Correntina continua ficando para trás?

Enquanto caminhões carregados de grãos deixam o município todos os dias, levando junto riqueza, empregos e oportunidades, outras cidades colhem aquilo que deveria estar sendo gerado aqui: indústrias, renda, desenvolvimento e dignidade para a população.

Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e tantos outros municípios seguem avançando. Recebem investimentos bilionários, como o recente caso da expansão da INPASA, que projeta novas biorrefinarias e escolheu, mais uma vez, outro endereço — não Correntina.

Parque industrial em Luis Eduardo Magalhães/BA
Parque industrial em Luis Eduardo Magalhães/BA
Parque industrial em Luis Eduardo Magalhães/BA
Parque industrial em Luis Eduardo Magalhães/BA
Parque industrial em Luis Eduardo Magalhães/BA

No nosso sentir e nosso parco conhecimento, cremos que não se trata de falta de potencial.Trata-se de falta de ação. O problema não é o campo — É A POLÍTICA, Correntina não é pobre. Correntina é mal representada. Falta planejamento estratégico. Falta articulação política. Falta presença institucional. Falta, sobretudo, compromisso real com o desenvolvimento.

Enquanto isso, seguimos assistindo à repetição de um modelo ultrapassado, produzimos aqui, enriquecemos outros lugares e ficamos com as sobras. E o mais grave, isso tem sido aceito com uma passividade preocupante.

UMA CIDADE REFÉM DO PODER PÚBLICO

Sem indústrias, sem agroindústrias e sem diversificação econômica, Correntina permanece refém do setor público. A Prefeitura segue como principal fonte de emprego, alimentando um ciclo de dependência que limita o crescimento e enfraquece a autonomia da população. Isso não é desenvolvimento, é uma estagnação disfarçada de normalidade.

Foto – Prefeitura Municipal de Correntina

Até quando Correntina vai assistir sua riqueza sair pelas estradas sem reagir? Até quando vamos aceitar promessas vazias e discursos prontos em época de eleição? Até quando o potencial do município será desperdiçado por falta de liderança e visão?

O momento da verdade chegou, estamos às portas de um novo ciclo eleitoral. E isso não é detalhe, é mais uma oportunidade.

É agora que a população precisa deixar de ser espectadora e assumir o papel de protagonista. Não há mais espaço para escolhas baseadas em favores, simpatias ou interesses pessoais. O momento exige maturidade política. É preciso votar com consciência. É preciso escolher com responsabilidade.

Imagem ilustrativa

Chegou a hora de perguntar, com firmeza, quem tem propostas reais para industrializar Correntina? Quem fala em distrito industrial com planejamento concreto e não apenas em discurso?Quem tem capacidade de atrair investimentos e dialogar com grandes empresas? Quem está preparado para romper com o atraso que se arrasta há décadas?

Correntina não precisa de salvadores, precisa sim de representantes comprometidos, preparados e com coragem para mudar a realidade.

O voto não pode mais ser desperdiçado, pois cada voto errado custa caro, custa empregos que não chegam, custa oportunidades que são perdidas, custa o futuro de uma geração inteira.

Com isso, não quero apenas escrever mais um texto, quero fazer um ALERTA e o faço um chamado à consciência coletiva, pois, sabido é que Correntina tem potencial para ser um dos maiores polos agroindustriais do Brasil, especialmente com a ferrovia que se aproxima. Mas, para isso, é preciso romper com a inércia, exigir mudanças e fazer escolhas diferentes.

O desenvolvimento não virá por acaso, também não virá por sorte, e, certamente, não virá com mais do mesmo. Virá quando a população decidir que não aceita mais o descaso, porque, no fim das contas, a pergunta não é apenas sobre os governantes, a pergunta é sobre nós mesmo:
vamos continuar assistindo de camarote… ou finalmente vamos reagir?

Imagem ilustrativa.

O tempo do descaso precisa acabar.

16 COMENTÁRIOS

  1. A expectativa é que, nas próximas eleições, o debate político em Correntina supere a antiga divisão entre “filhos da terra” e “forasteiros”, uma vez que, segundo avaliações recorrentes da população, ambos os grupos já demonstraram limitações na condução da gestão pública. Críticas apontam que administrações recentes priorizaram eventos festivos em detrimento de investimentos estruturais, além de levantarem preocupações sobre a preservação do patrimônio público. Diante desse cenário, cresce o questionamento entre os eleitores: quem será o próximo candidato com preparo técnico, responsabilidade administrativa e compromisso real com o desenvolvimento do município?

    Gilson Magalhães da Silva

  2. Parabéns por essa materia de grande importância pra Correntina e todo nosso municipio.precisamos acertar mais em governantes!

    • Este tem que ser o nosso próximo gestor e não esses podres gestores dos últimos 20 anos … mas se não mudar o executivo nso
      Muda nada…

  3. O nosso povo, boa parte dele, está domesticado a ganhar migalhas, a ter um emprego que não chega a suprir as necessidades da família até o final do mês, uma educação de nota 3, de levar uma vida como teve os avós há 70 anos atrás, (tem muita expectativa) também sei que muitos não teve oportunidade merecida, para sonhar, acreditar e mudar a realidade. Muitos com emprego temporário no executivo municipal, com valores que não chega a dois salários mínimos por mês, e se sentem uma pessoa importante no belo quadro social, como dizia o baiano Raul em sua musica, ouro de tolo.
    Correntina é uma cidade com potencial enorme, mas boa parte desse fracasso, (no que se refere o desenvolvimento econômico e social) é culpa dos nossos governantes, de todos eles, tanto municipal como estadual, eles não deixam o nosso povo ficar grande, ficar forte, poder sonhar.
    Sócrates dizia que sua mãe, Fenarete, era a melhor parteira do mundo, mais uma coisa que ela nunca poderia fazer é da luz uma mulher que não esteja grávida.
    Eu, Aecio, nordestino que sou, SONHO e ESCREVO em letras GRANDES pelos muros do país, como dizia o nordestino Belchior em sua música, comentário a respeito de John.

    • E’ vc tem condições de se voluntária para promover as mudanças que precisamos. Está difícil é expressão de quem quer se isentar do processo do qual ele é parte.
      Você tem capacidade gestora, vc é íntegro e capaz.

  4. Esse assunto nos já debatemos aqui outras vezes, que tem potencial, mas o povo ainda migra para Goiânia. Nem os políticos locais e nem a população quer para de migrar, é uma cultura que está enraizada.
    O questionamento que eu faço é: por que os políticos de Correntina não se candidatam a uma eleição de deputado. Pelo que estou apurando aqui na região vai ter candidatos de Santa Maria da Vitória, Barreiras, Lem, Coribe e Cocos.
    Sem representantes para articular na câmara federal ou na assembleia legislativa o município fica “invisível”.
    Eu defendo a qui é votar no candidato mais próximo da cidade e não o que o prefeito apoiar por questões partidárias. Pois deputados tá alem de fazer leis e fiscalizar o executivo, ele tem que trazer emendas para os municípios.

  5. Essa é a velha política de Correntina! Vote em mim, que te arrumo um serviço, o eleitor de mãos atadas, por quatro anos, preso ao político. O povo já passou de se levantar e acordar, começar a entender que os políticos são todos iguais, não mudam o seu discurso. Lutar por uma Correntina prosperará, com mais oportunidades, A PMC não pode ser o único meio de emprego. Esses dois grupos políticos já deu o que tinha que dar, Só sabem surrupiar os cofres públicos…

    • Não Jak não é a velha política, pois essa fez sua parte d bem, a nova política é que está sendo nisso mal. Os eleitores ignóbeis é que são os males da nova política. Quem nos dera tivesse um Teofilo, um Lauro… lembre-se que um carregador se sacos. Governo 4 mandatos e e’ a nova política? Não é o novo eleitor viciado em festas, vales, ticts, cesta básicas… Ena Rocha, Vanuzia Joaquim Silva Lauro se candidataram e perdemos a oportunidade de mudança, mas o eleitor escolheram o lado podre. Não nos adianta bons nomes se o eleitor é um dependente viciado em migalhas do estado.

      Getúlio Reis é a bola vez, o nome da mudança da nova política de Correntina. Vamos motiva-lo.

      • Meu caro Flamarion,

        Temos bons nomes para apresentar ao povo, a exemplo de Humberto, Marcelão, Edmundo, Joaquim da Silva e tantos outros, devemos, ainda, preocuparmos com nomes para a Câmara de Vereadores, a fim de que se faça uma NOVA GESTÃO digna dos Correntinenses ávidos por dias melhores e uma cidade pujante.

  6. Leio atentamente, cada texto apresentado a respeito do que acontece com o município de Correntina, BA. Percebo uma certa angústia e sentimento de impotência diante das claras evidências da situação de injustiça social, entre outras, que têm prevalecido há anos. Pode até parecer inútil o falar, falar falar… Mas trata-se de uma maneira de não aceitar passivamente, o que tem acontecido há anos. “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” .

  7. ESTA VERDADE TEM QUE SER DO CONHECIMENTO DE TODOS OS CORRENTINENSE, POIS O “ATRASO” INFELIZMENTE CONTINUA. TUDO VOCÊ FALOU “GETULIO”
    POREM, UM MUNICÍPIO NÃO PROGRIDE SEM A “EFICIÊNCIA POLÍTICA” PARA TRAZER A DIGNIDADE PARA TODOS, POIS RIQUEZAS O MUNICÍPIO TEM, SO FALTA A CAPACIDADE PARA AGREGAR VALORES NO QUE É PRODUZINDO NESTE QUERIDO “MUNICÍPIO”
    VOCÊ FALOU MUITO BEM, O “POLO INDUSTRIAL ” É UM DOS PONTOS DE PARTIDA PARA O CRESCIMENTO “SOCIOECONÔMICO”
    E O “PORTO SECO” QUE ESTÁ NA NA PLANTA ORIGINAL DA FERROVIA, ESSA SO FALTA INICIATIVA POLÍTICA, PARA NÃO PERDER O MELHOR PARA CORRENTINA E CORRENTINENSES, O PORTO SECO, NA PLANTA, ESTÁ LOCADO NO PRÓXIMO AO POVOADO DO CARUARU.

  8. Não sei se excelente foi o artigo, ou os reais comentários dos que veem onoutto lado da questão, agora exposto de forma mais clara pelo nosso Capitão.

    Este assunto foi assanhado pelo colunista Teoney Guerra; nos pareceu mais um artigo propaganda da agro que nada nos trás de positivo no dia a dia do município. Esta deve ser a cobrança do pivo para que se tenha algum retorno real para ele.

    De nada nos vale posições em classificação de produtividade em toneladas se outros são os que se beneficiarão dela.

    A verdade é mesmo está: que “ o problema não é o campo — É A POLÍTICA, Correntina não é pobre. Correntina é mal representada. Falta planejamento estratégico. Falta articulação política. Falta presença institucional. Falta, sobretudo, compromisso real com o desenvolvimento.”

    Os políticos escolhidos veem de uma safra contaminada na essência da ética da integridade e da moral; além
    Da falta de conhecimento específico sobre gestão. Mais erram que acertam, incham a administração de pendulicarios, faz do Executivo cabides do executivo que age segundo suas conveniências tais que os impedem planejar sua própria gestão e o pivo vive as consequências que ele tenta superar com pão e circo, foguetes, festas, cachaçada!

    O pivo não sabe escolher pois também
    Lhes falta preparo para saber discernir um candidato sério de outro fanfarrão!

    Parabéns Capitão gostei muito de sua reação e espero vê seu nome entre os próximos candidatos a gestão deste rico município infestado de sanguessuga que nos impedem progredir.

    O mal não é o forasteiro, bem disse um dos comentários; nem Um residente nato; o problema é a integridade, honestidade, a competência em escolher pessoas certas pra lugares certos e não continuar essa picuinha rançosa de perseguição gratuita.

    Comecem a mudança despejando esse governador do Estado marionete. A questão não é direita ou esquerda, a questão é integridade, um Nome preparado e não esse verme que acabou de lascar o Estafo e dar a capital uma aparência das cidade arrasadas de Cuba. Salvador fede em todos seus pontos turísticos e seus monumentos históricos desabam.

  9. Fiz uma leitura dos comentários e observei que há uma frustração, sensação de impotência e um desejo explícito por ruptura. O eleitorado que comenta quer “sangue novo”, mas reconhece que parte do povo ainda sustenta o clientelismo.

    Alguns comentaristas me associam a três atributos que eles dizem faltar na política local: *integridade*, *preparo técnico* e *coragem para falar as verdades*, com isso querendo me transformar em símbolo do que eles chamam de “nova política”

    Tem ainda aqueles que me enxergam como antídoto, mas adiante descrevem um ambiente eleitoral que exigiria justamente as práticas que rejeito com veemência para vencer uma eleição. O diagnóstico confirma o dilema: existe demanda por um nome técnico e íntegro, porém persiste a cultura do favor e do clientelismo que inviabiliza uma campanha limpa. O meu declínio, portanto, não é omissão. É coerência com o próprio diagnóstico que a população faz, pois, enquanto o voto for moeda de troca, gestores com perfil sensato não entram no jogo sem se contaminar.

    Enquanto houver quem troque o futuro dos filhos por uma camisa, uma sandália, uma dentadura, um milheiro de blocos, telhas ou pelo vil metal, não haverá gestor honesto que sobreviva. O voto vendido hoje é a ponte quebrada, o posto sem remédio, a escola nota 3 e o emprego que não paga as contas amanhã. Quem negocia a dignidade na urna não tem autoridade moral para cobrar resultado depois. Se o preço da sua consciência cabe numa cesta básica, não peça que eu entre nesse mercado. Eu não entro.

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