Publicado em 19/4/2026, às 10h55

CORRENTINA, TERRA DE MIGRANTES E OÁSIS DOS RETIRANTES
Por Antonio Rocha.
Era para ser uma terra de passagem, porém muitos ficaram e não passaram daqui. Ficaram porque encontraram o que, em vão, procuravam em outras terras. O oásis é constituído de cinco rios caudalosos e perenes, margeados por matas virgens e terras férteis. Eis a razão pela qual viandantes e retirantes instalaram-se com suas matulas de poucos pertences, nas relvas macias deste chão.


Plantaram roças e constituíram famílias, contribuindo com o crescimento demográfico local. De origens diversas e sonho comum, partiam de seus locais à procura de um destino, por vezes, incerto. Foi exatamente nesse cenário que a minha parentela, como tantas outras tocadas pela dura seca de Brotas de Macaúbas, instalou-se em Correntina. Ali, uma parte se estabeleceu e ramificou, enquanto a outra rumou-se para Goiás, fixando sua moradia em algum bairro da capital goiana. Enquanto isso, o conjunto de bens e belezas naturais atraiu cada vez mais os exauridos retirantes que por aqui passavam.

Mas hoje, aquilo que tanto encantou e garantiu a vida e o bem estar de todos os seres vivos, está profundamente ameaçado. Campinas, veredas, nascentes e animais são escorraçados por máquinas e automóveis de grande porte. Isto é a síntese do paradoxo capitalista: lucros astronômicos de um lado e incalculáveis prejuízos de outro. A ganância e a sanha de lucrar reduz tudo a cinzas. Mas o próprio sistema cria mecanismos manipuladores eficazes contra o despertar das consciências.



Consequentemente, muita gente finge não ver a dramática realidade que avilta a condição humana, como se por ela não fosse corresponsável. Certamente a história cobrará a fatura da irresponsabilidade dos que, movidos pelo imediatismo econômico, submete coletividade aos previsíveis riscos. Se não houver uma reversão deste quadro, como vislumbrar um futuro seguro e para as gerações seguintes? É grave e preocupante a possibilidade da atual geração manter-se refém dessa terrível indiferença. Sem querer sucumbir-me ao extremo pessimismo, estou convicto que os defensores das causas mais nobres continuarão sendo tratados como inimigos do progresso.



Definitivamente, vivemos num contexto de inversão de valores, pois aqueles que criminosamente destroem, incendeiam, desmatam, poluem, saqueiam e se apropriam dos recursos naturais, são tidos como verdadeiros defensores do desenvolvimento e da soberania. Enquanto isso, o município sangra e dos seus mananciais já não saem mais águas cristalinas. Pelo contrário, de suas veias exala o silencioso veneno, irmão siamês do dinheiro e absolutamente deletério à vida. No ritmo que a coisa vai, mais dia menos dia não restará “pedra sobre pedra.”, tudo será consumido e devorado pela estúpida ganância dos insensatos e pela inércia da sociedade.









Historicamente o processo de povoamento da Bahia e do nordeste começou pelo litoral, obviamente que os indígenas já estavam por aqui, então todos que os colonizadores traziam pra cá, seja os escravizados ou os cristãos novos, ao passar do tempo foram se deslocando para o interior. Em busca de terras, ouro ou até fugindo da seca nossos antepassados migraram para essa região. Nós continuamos esse movimento e com a criação de Goiânia e Brasília nas décadas de 30 e 60 nos atraiu para o centro do país.
Em fim, com o avanço do agro na região o desmatamento preocupa, pois a região da Matopiba é onde acontece a maior parte do desmatamento do cerrado, o oeste baino todo foi incluído no mapa do semiárido exceto a cidade de Luis Eduardo Magalhães e há um descaso com os nossos rios, esgoto e despejado tem o assoreamento e o uso exagerado de irrigação nas áreas de nascentes.
Sem dúvida, Luka…
Exatamente assim, conforme o seu detalhado e preciso comentário…