Publicado em 24/4/2026, às 14h20.


A DESATINOCRACIA
Gecílio Souza
O Sol, astro superior
Do nosso sistema solar
Centro físico incandescente
Que faz o mundo girar
Dá mil e trezentas Terras
Sua estrutura circular
Cento e cinquenta milhões
Distante do nosso lugar
A ciência pode explicar
Suas várias dimensões
Planetas que o compõem
E respectivas posições
Contando a partir do Sol
Elípticas representações
A Terra é o terceiro corpo
Entre as oito distinções
Vêm dela investigações
Sobre o cosmo em movimento
Ela é o centro metafísico
Deste imenso monumento
Nela se abrigam a vida
A razão e o pensamento
O homem vasculha o espaço
Por meio do conhecimento

Cá na Terra o entendimento
É precário e limitado
O grosso da sociedade
Com um saber defasado
Enquanto os “bem instruídos”
Têm o olhar enviesado
Não sabem pensar o mundo
Por vê-lo sempre quadrado
Raciocínio aprisionado
Aos lances do dia-a-dia
Analfabetos políticos
Dando aula de economia
Carecem de noções básicas
De ética e antropologia
Seus desafetos são
História e filosofia

Consideram heresia
O exercício de pensar
Inimigo da tradição
É quem ousa questionar
Suas crenças contraditórias
Cujo fim é manipular
Erguem templos para Deus
Onde Deus não deve entrar
Porque circundam o altar
Os de péssima procedência
Detentores de riquezas
Cristãos por conveniência
Seu objetivo é dinheiro
E o obtêm com frequência
Direta ou indiretamente
Alimentam a violência
Santinhos na aparência
Demônios no interior
Repetem o bordão antigo
Qual seja senhor, senhor
Os mesmos não se comovem
Com a miséria e a dor
Empobrecem o sentido
Do conceito de amor

Potencializam o rancor
Contra a posição diferente
Quem discorda de seu credo
Não é cristão, não é gente
Seu código penal é a bíblia
Que é lida literalmente
E descontextualizada
Pela crença incoerente
Não pensam universalmente
Quando escolhem cada ação
Falam muito e pensam pouco
Caem sempre em contradição
Ignoram que existe
Uma cósmica relação
Entre a Terra e o universo
Que é estudada aqui do chão
Por isto que a educação
Não é só ler e escrever
É interpretar o mundo
Pensá-lo e compreender
O lugar que temos nele
E o que nos faz depender
Desta cósmica sincronia
Resumida em cada ser

Entre o enxergar e o ver
Há uma grande diferença
Qualquer ser vivo enxerga
A natureza deu licença
Ver é um ato da razão
Emancipado da crença
Com os olhos do espírito
Fundamenta-se a sentença
O Sol com sua presença
No térreo pedaço cósmico
A luz sugere razão
Em seu sentido simbólico
Transparência e nitidez
De aspecto pedagógico
Platão falou sobre isto
Com um juízo metafórico

Mas o raciocínio lógico
Tem pouco espaço na Terra
Quem hostiliza o saber
Cedo ou mais tarde se ferra
Os pacíficos de araque
Fazem apologia da guerra
O Planeta corre risco
A filosofia não erra
Este poema se encerra
Do jeito que se inicia
Resumindo o conceito
De Desatinocracia
É o poder do desatino
Que do saber se desvia
Assim se consolidando
Longe da epistemologia






Olá! Muito me alegro, quando leio textos de conterrâneos meus tão inteligentes, capazes de transformar em poesia, assuntos de grande relevância, como o que acabei de ler.
Inestimável Marivalda,
Suas palavras, elegantemente generosas, honram-me e as tomo como estímulo. Obrigado pela leitura e apreciação da modesta produção literária deste seu conterrâneo!
Grande abraço!
Corrigindo…
Escrevi Marivaldo, ao invés de Marivalda.
Desculpe-me, inestimável!