Publicado em 28/4/2026, às 21h30

Imagem ilustrativa.

A previdência dos servidores de Correntina (IMUPRE) está à beira do abismo. O IMUPRE pode quebrar em poucos anos e isso já não é mais previsão distante, é um risco real e cada vez mais próximo. Além do IMUPRE existe  o atraso no consignado do servidor público quem vem se arrastando desde da posse da atual gestão.

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Hoje, o instituto já funciona no vermelho. Todo mês, cerca de um milhão de reais é retirado das reservas para pagar aposentados. Não precisa ser especialista para entender que quando o dinheiro só sai e não entra, ele acaba. E, nesse ritmo, pode acabar em menos de cinco anos.

Extrato do saldo do IMUPRE em 16/1/2026

O principal responsável por esse cenário é a Prefeitura de Correntina, através de seus administradores. Desde janeiro de 2025, quando assumiu a gestão, o prefeito Mariano não repassou nenhum valor da contribuição patronal ao IMUPRE. Nenhum real. A dívida cresce, enquanto o sistema vai sendo empurrado para o colapso.

E a situação é ainda mais grave. Há informações de que existem atrasos também no repasse de valores recolhidos dos próprios servidores. Ou seja: dinheiro que sai do bolso do trabalhador pode não estar chegando corretamente ao seu destino. Se isso se confirmar, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a ser uma violação séria dos direitos dos segurados.

Extrato do saldo do IMUPRE em 16/3/2026.

Na Câmara de Vereadores, o silêncio não pode ser tratado como descuido, é conveniência política. Não há cobrança firme, não há investigação, não há atitude. E o mais revoltante: há vereadores que são servidores públicos e dependem diretamente do IMUPRE. Ainda assim, preferem o silêncio diante de um problema que pode destruir a aposentadoria de todos os servidores públicos de Correntina.

Se o IMUPRE quebrar, não são só os servidores que perdem. Correntina inteira perde. É dinheiro que deixa de circular no comércio, são famílias sem renda, é a economia local sentindo o impacto direto. O alerta já foi dado. Os números estão aí. O problema é conhecido. O que falta é ação.

E outra pergunta não pode mais ser ignorada: onde estão os órgãos de fiscalização? O que estão fazendo diante de um risco tão grave?

1 COMENTÁRIO

  1. O cenário descrito não comporta mais silêncio nem discursos suaves. O que está acontecendo em Correntina é resultado de uma sequência de falhas graves — algumas por ação, outras por omissão — que, somadas, colocam em risco direto o futuro de servidores e de toda a economia local.

    É necessário dizer com clareza: gestões anteriores que trataram a coisa pública com negligência ou práticas irregulares plantaram parte dessa crise. Quando recursos previdenciários deixam de ser tratados com responsabilidade, o problema não aparece de imediato — ele explode anos depois, como agora. Quem desviou, omitiu ou administrou mal precisa ser responsabilizado, sem relativizações.

    Mas isso não exime a gestão atual, que tem o dever legal e moral de corrigir rumos. A omissão diante de repasses não realizados ou atrasados não é apenas falha administrativa — pode configurar violação grave de dever público. Governar não é herdar problemas e usá-los como justificativa permanente; é enfrentá-los com transparência, técnica e responsabilidade.

    A Câmara de Vereadores também não pode se esconder. Fiscalizar o Executivo não é favor, é obrigação constitucional. O silêncio, nesse caso, não soa como prudência — soa como conveniência. E quando há vereadores diretamente afetados pela situação e, ainda assim, inertes, o problema ganha contornos ainda mais preocupantes.

    Outro ponto que não pode ser ignorado é a atuação dos órgãos de controle, especialmente o Ministério Público. Diante de indícios de irregularidades em recursos previdenciários — que são, por natureza, sensíveis e protegidos — espera-se atuação firme, célere e independente. A ausência de respostas à altura fragiliza a confiança da população nas instituições.

    Por fim, há uma reflexão incômoda, mas necessária: o papel do eleitor. A repetição de práticas políticas ruins não ocorre no vazio. Ela se sustenta quando votos são negociados, quando critérios como caráter, histórico e compromisso público são deixados de lado. Democracia não é apenas o direito de votar — é a responsabilidade de escolher bem.

    Se nada mudar, o risco não é apenas o colapso de um instituto previdenciário. É o colapso da confiança, da estabilidade econômica local e da dignidade de quem trabalhou uma vida inteira esperando segurança no futuro.

    O alerta já foi dado. O que está em jogo agora não é diagnóstico — é coragem para agir e responsabilidade para responder.

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