Publicado em 26/4/2026, às 10h30

Possui graduação em Filosofia pela PUC Goiás, graduação em Direito, Licenciatura em História, Curso Seminarístico de Filosofia pelo Instituto de Filosofia/teologia de Goiás, Curso livre em Teologia (1993), especialização em Filosofia Clínica, e mestrado em Ciências da Religião pela PUC Goiás. Ex- Professor efetivo da PUC Goiás, foi professor convidado do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás.

O BELO MUSEU RAIMUNDO SALES
Os museus são exímios contadores de histórias. Como tais, eles contam em contas, as histórias das cidades, das nações e do mundo. Como diz o ditado: mata a cobra e mostra o pau. Mas, para que o provérbio adquira ainda mais sentido, eu acrescentaria que é preciso mostrar o pau e a cobra. Pois bem, é isso que os museus fazem! Vão mostrando as pegadas, os vestígios e as marcas deixadas por gente, bichos e outros seres que povoam o universo humano.
Tratando-se de museus, Correntina, cidade escondida entre os barrancos do oeste baiano, elegantemente batizada de princesinha baiana, desfruta do privilégio de se acariciar pelas águas cristalinas do rio que lhe entrecorta. Além disso, ela também ostenta a sua história, por meio das peças dos museus, nela situados. Refiro aos Museus de Louro e de Raimundo Sales, respectivamente. Hoje, neste espaço jornalistico-cultural, quero tratar, especificamente, do Museu natural e cultural, que leva o nome de um dos personagens mais ilustres e memoráveis que a cidade já teve, o insigne Raimundo Sales.
O nosso concidadão, além de privilegiado com uma inteligência extraordinariamente inventiva, empreendedora e visionária, era uma pessoa carismática, afetiva e profundamente altruísta. Seu legado aos filhos de Correntina foge do comum e ultrapassa as cercanias do município. Sua contribuição é simplesmente incomensurável. Para quem não sabe, o Museu Sales, em Correntina, é um projeto originalmente sonhado e idealizado por Ieda Maria Barbosa, estruturado pelo Doutor Altair Sales Barbosa, aceito e efetivado pela gestão do ex-prefeito municipal, Ezequiel Barbosa. Posteriormente, na gestão do ex-prefeito Maguila, o referido Museu passou por reformas e adequações. Vale registrar que, no início da sua fundação, houve parceria entre a prefeitura municipal e a Universidade Católica de Goiás, representada pelo professor Altair, para a instalação e a manutenção do Museu.
O referido equipamento contador de histórias está situado à Rua Tamburi, Distrito Central, Loteamento Parque Cachoeira, próximo ao novo mercado municipal. Em frente, figura-se uma bela e majestosa árvore, denominada de Tamboril, que generosamente sombreia o terreiro do próprio museu. A copa da rara árvore abriga pássaros, enquanto à sua sombra abrigam-se pessoas e animais. No belo interior desse guardião de memórias, o visitante pode passar horas do seu tempo observando e contemplando a diversidade de peças ali expostas. Peças marcadas pela vida e pela existência humana, especialmente dos povos nativos, dos primeiros habitantes, dos empreendedores e assim por diante. Trata-se, portanto, de um verdadeiro tesouro localizado em nossa cidade. Enquanto estrangeiros e turistas são atraídos por tal riqueza arqueológica e cultural, muitos cidadãos locais sequer a conhecem. No Museu Raimundo Sales é possível, também, visualizar as pegadas dos primeiros humanos das Américas, até os povoamentos do centro do país, fruto da ousada façanha dos portugueses. Encontram-se ali, desde fragmentos de cerâmicas dos povos antigos, às invenções e maquinarias elaboradas pelas mãos de sucessivas gerações que nos antecederam. O acervo é grande e precioso, digno de ser visitado e apreciado, tanto pelos turistas quanto pelos inúmeros estudantes das escolas locais. Manter no anonimato e não divulgar tão valioso legado, é mais que omissão; é um crime. Evidentemente, Correntina ainda tem muito o que mostrar e oferecer , do ponto de vista cultural. Para além do que é visto, há vida muito inteligente neste sertão. Desde a tessitura dos espaços ribeirinhos, o fazer e o modo existencial dos remanescentes e nativos, às inúmeras comunidades com suas múltiplas e variadas teias culturais, no interior do município. Desejo vida longa e vitalidade ao Museu Raimundo Sales, antecipando-me ao seu aniversário de 21 anos, que ocorrerá em outubro próximo. Parabéns!

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