Publicado em 28/4/2026, às 14h14

Possui graduação em Filosofia pela PUC Goiás, graduação em Direito, Licenciatura em História, Curso Seminarístico de Filosofia pelo Instituto de Filosofia/teologia de Goiás, Curso livre em Teologia (1993), especialização em Filosofia Clínica, e mestrado em Ciências da Religião pela PUC Goiás. Ex- Professor efetivo da PUC Goiás, foi professor convidado do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás.

OS SEQUESTROS-RELÂMPAGOS EM CORRENTINA

Foto ilustrativa

Lá se vão os anos, levados pelo tempo, fluindo veloz como o vento, tangidos pela mão invisível das forças cósmicas. Engana-se quem imagina que as antigas gerações viviam isoladas e alimentando-se tão somente da ingenuidade, com as mentes vazias de artimanhas. No município de Correntina, por exemplo, as estripulias corriam soltas, dando lugar a muitas histórias repletas de malinezas e traquinagens infanto-juvenis, que geralmente passam desapercebidas. Isto devido à evolução do tempo, ou porque a gente não mais se dá conta, isto é, nem percebemos.

Imagem ilustrativa.
Foto do mercado Velho.

Ocorre que, nos idos dos anos 60 e 70, época em que a presença de veículos automotores era tímida por essas bandas, as pessoas valiam-se do transporte de tração animal. Na ocasião, a cidade era bem servida de cavalos, mulas, jumentos e éguas, habitualmente adestrados para montarias. Conforme o tradicional costume, amarravam os quadrúpedes em postes e arbustos que integravam a paisagem de Correntina. Dependendo da ocasião e da concorrência por espaço, muita gente prendia, com cabrestos, seus animais nas estacas das cercas. Cercas estas que comumente fechavam os quintais das residências urbanas. Há de se presumir que, naqueles espaços, haviam animais para todas as demandas: uns ariscos, outros dóceis e mansos; marchadores, trotões, corredores, etc. As opções eram abundantes e variadas. Ao chegarem à freguesia, amazonas e cavaleiros feirantes, ou fregueses consumidores apeavam, amarravam os inocentes e seguiam à pé até a feira, situada na antiga praça do mercado velho, à margem do rio. Dali, retornavam somente ao final do dia, após o horário comercial. Foi aproveitando dessa ocasião e deste hiato de tempo, que alguns traquinas, percebendo a ausência dos proprietários, oportunisticamente, surrupiavam, por alguns momentos, a boa montaria de um daqueles animais.

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Desta forma, os meninos e as meninas, num piscar de olhos, desfilavam-se sobre a bela montaria, rua acima rua abaixo, na ausência dos proprietários. Tratava-se de uma malícia ingênua, uma diversão despretensiosa, um furto sem tipificação penal, um ato infracional sem pecado. Os infantes simplesmente aproveitavam do descuido dos pobres donos desavisados.

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Fato é que, antes mesmo da tipificação jurídica do tal sequestro-relâmpago ser integrada ao ordenamento legal, aqueles adolescentes já o praticavam sem saber. Ainda bem! A santa ingenuidade foi quem os salvou. Maria Alice que o diga. Ela me fez recordar esse inusitado e curioso episódio. Também pudera… Ela própria, juntamente com suas irmãs, participou desse ato de subversão e rebeldia. Bons tempos aqueles, em que a malícia e a infração penal eram apenas um desatino inocente da época de meninice.

3 COMENTÁRIOS

  1. O texto do Mestre ANTONIO ROCHA resgata com saudosismo as travessuras e nos remete lá para os idos dos anos 60 e 70 em Correntina, quando meninos e meninas “tomavam emprestado” cavalos e mulas amarrados perto do Mercado Velho enquanto os donos estavam na feira. Ainda alcancei parte dessas travessuras e cheguei a receber queixas de Miguel de Né ou ainda Miguel Baiano, em razão dos travessos pegarem animais de sua tropa para darem umas “esquipadas” pelas ruas margeando o rio.

    A crônica mostra que malineza e esperteza não são de hoje: já existiam, só que com a inocência do tempo de menino. O que seria “sequestro-relâmpago” virava só uma volta despretensiosa, rua acima, rua abaixo, despida das maldades dos dias atuais.

    No fundo, é um lembrete bonito: as gerações antigas não eram ingênuas. Tinham suas artes, mas viviam um tempo em que até a infração tinha cheiro de brincadeira e era absolvida pela meninice e ausencia de danos maiores. Bons tempos em que o pecado maior era não aproveitar a infância.

  2. Eu Aninha, e a Maria Alice quando criança, fizemos muitas vezes esta traquinagem, de pegar os cavalos amarrados em nosso quintal, e dar umas voltinhas na rua, e também dar água aos mesmos! Ser criança, não tem preço!

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