Publicado em 14/5/2026, às 5h30

Foto: Gilson Magalhães da Silva.

IMUPRE: O Rombo da Vergonha e a Responsabilidade de Todos os Envolvidos
Por Gilson Magalhães.

A crise financeira do IMUPRE — instituto responsável pela previdência dos servidores municipais de Correntina-BA — não nasceu da noite para o dia. O cenário atual é resultado de sucessivas gestões públicas marcadas por omissões, irregularidades administrativas e falta de compromisso com os servidores que dedicaram suas vidas ao serviço público acreditando na garantia de uma aposentadoria digna.

Durante anos, gestores municipais descontaram a contribuição previdenciária dos salários dos funcionários, mas, segundo denúncias e relatórios já debatidos publicamente, deixaram de realizar o repasse integral ao instituto. O dinheiro desapareceu enquanto uma geração de administradores empurrava a responsabilidade para o outro, transformando o IMUPRE em uma bomba-relógio financeira.

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O débito cresceu, os problemas se acumularam e o discurso político permaneceu o mesmo: um culpando o outro, enquanto o servidor público continuava sendo penalizado. Porém, é necessário afirmar com clareza: um erro anterior não justifica a continuidade do erro atual. Cada gestor possui responsabilidade individual sobre seus atos e omissões diante da administração pública.

A Justiça possui o dever de investigar, intimar, processar, acarear e, se necessário, bloquear bens e responsabilizar civil e criminalmente aqueles que contribuíram para o rombo previdenciário. Contudo, a responsabilidade não se limita apenas aos antigos administradores.

O atual gestor municipal, que recebe remuneração superior a R$ 30 mil mensais para administrar o Município, assumiu o cargo consciente da grave situação financeira existente. Quem aceita governar uma cidade assume também seus débitos, obrigações e responsabilidades legais. Administração pública exige transparência, responsabilidade fiscal e compromisso com o erário público, independentemente dos erros herdados de governos anteriores.

Entretanto, além das ações consideradas negativas do Poder Executivo, soma-se também a preocupante omissão do Poder Legislativo. A Câmara Municipal, cuja função constitucional é fiscalizar os atos do Executivo, deveria convocar o gestor para prestar esclarecimentos públicos sobre os desfalques no IMUPRE, cobrar providências concretas e agir institucionalmente diante de possíveis irregularidades.

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Porém, segundo críticas da população e de setores sindicais, parte dos vereadores prefere permanecer em silêncio ou atuar politicamente em defesa do governo, enquanto ataques são direcionados contra sindicatos e cidadãos da oposição que exercem o direito democrático de questionar e fiscalizar o poder público.

A situação torna-se ainda mais grave quando figuras políticas envolvidas em antigos escândalos de corrupção aparecem novamente ocupando espaço de poder e discursando sobre moralidade administrativa. Muitos cidadãos questionam: como representantes envolvidos em operações policiais e investigações podem se apresentar como defensores da legalidade sem antes prestar contas à sociedade?

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A corrupção parece ter criado raízes profundas no Município. E parte da responsabilidade também recai sobre o eleitorado que, através do voto, possui o poder de renovar ou reconduzir grupos políticos ao comando da máquina pública. Quando agentes públicos envolvidos em denúncias retornam ao poder sucessivamente, a sociedade precisa refletir sobre seu próprio papel nesse processo.

Os poderes constituídos deveriam atuar de forma harmônica, porém independentes, conforme determina a Constituição. Contudo, na visão de muitos correntinenses, Executivo e Legislativo caminham lado a lado não para proteger o patrimônio público, mas para blindar interesses políticos enquanto o povo arca com as consequências do desmonte administrativo.

Diante desse cenário, fica a pergunta que ecoa pelas ruas de Correntina: qual é, de fato, a intenção daqueles que se apresentam como defensores da legalidade enquanto silenciam diante do rombo no IMUPRE?

Com as eleições se aproximando, a população terá novamente nas mãos o instrumento mais poderoso da democracia: o voto. Caberá ao povo decidir se irá demitir maus gestores e parlamentares omissos ou se permitirá que os mesmos grupos políticos permaneçam no poder, alimentando um ciclo de escândalos, impunidade e prejuízos ao patrimônio público.
A decisão será das urnas. E também da consciência de cada eleitor.
Autor: Gilson Magalhães da Silva

1 COMENTÁRIO

  1. Imupre: Servidores surrupiado por gestões anteriores, encontramos matérias que informam da gravidade do problema mas ainda não colocam o dedo.na ferida.

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