Publicado em 27/06/2024 às 06h15

Por Antonio Rocha.

CORRENTINA ENTRE O JÓIO E O TRIGO.

Nem tudo que é antigo é bom, e nem tudo que é moderno é a melhor escolha. Há, de fato, elementos e coisas; memórias, tradições e práticas que devem ser conservadas a sete chaves. Mas, há outras que deveriam ter sido descartadas.

O mundo gira e, consequentemente, tudo se modifica, ensejando o advento de outros desafios e necessidades, que demandam superação e substituição. Ao meu olhar despretensioso, em Correntina existem valores e práticas que, a rigor, perderam o sentido de existir. Eu me refiro à ultrapassada política, àquela velha e viciada prática, que há muito caducou-se. Neste aspecto, não importa se os seus atores são novos ou velhos. Afinal, lamentavelmente há novos atores reproduzindo práticas antigas, sabidamente maléficas no passado e mais danosas ainda no presente.


Assim sendo, há certos modos e projetos que, sob o imperativo ético, devem ser inequivocamente descontinuados. É o caso, por exemplo, das espúrias e aviltantes alianças, profundamente perniciosas ao nosso município e a todos os munícipes. Face a isto, urge indispensável inaugurar um novo cenário, resultante de um jeito diferente de fazer política em Correntina. Para tal, é imperiosa a formação de novos quadros completamente emanados das entranhas da cidade. Que os novos líderes estejam sempre imbuídos dos mais elevados valores éticos. Com tal perfil, estarão à altura de assumir a prerrogativa do zelo pela coisa pública, bem como do compromisso pela justa distribuição das riquezas produzidas coletivamente. Não restam dúvidas de que a municipalidade requer, mais urgente do que nunca, a presença de novos atores para a formação e formulação de uma política emancipadora, desatrelada e livre dos laços de compadrio que a tornam refém dos financiadores de campanhas eleitorais. Para o triplo desenvolvimento da cidade, quais sejam: político, social e cultural, a remoção dos entulhos herdados é imprescindível.

Diante deste filosófico grau de exigência, a sociedade correntinense se encontra numa encruzilhada. Ocorre que um voto livre, consciente e consequentemente transformador, não se realiza em uma única eleição nem no mero apertar de uma tecla. Um voto consciente e livre demanda tempo, requer educação política, capacidade de discernimento, formação social crítica, para o exercício da livre correta opção.

Longo e pedregoso caminho que, pelo que se observa, a comunidade ainda não vislumbrou. Vítima dos reprováveis joguetes e conchavos, a população sabe que jamais fora prioridade dos poderosos locais. Convém observar que, quando me refiro ao poder, o faço num sentido amplo, para além do personagem mortal, isto é, do agente político empírico. Trata-se do prevalente poder econômico com seus mecanismos; dos que exercem forte domínio sobre a cultura, a economia e, por tabela, sobre a fé da nossa gente.


Os desafios estão postos e o seu enfrentamento se faz urgente mas, por enquanto, não consigo vislumbrar mais de uma saída, qual seja, a educação. Para tanto, um novo modelo educacional, capaz de formar e fomentar a massa crítica na juventude, é inadiável. Qualificação integral , acompanhada de uma justa remuneração, possibilita a motivação e o empenho ao trabalho dos (as) professores (as) e a outros profissionais da área. Evidentemente, isso só será possível quando a própria sociedade se engajar na formação de novos quadros políticos, sob um olhar progressista e livre dos indefensáveis compromissos com a oligarquia e com outros grupos antagônicos à verdadeira beleza da cidade. É, pois, com novas lideranças forjadas na compreensão e na luta por direitos e o ideal de justiça, que a cidade poderá vislumbrar novos horizontes, emancipada da falsa necessidade seu mais precioso patrimônio.

Lembrando que, de longe, o maior patrimônio de um município é o seu povo, e este não se vende e nem se troca, por se tratar de algo inalienável. Não obstante, numa sociedade como a nossa que é permanentemente aliciada, posta abaixo do lucro e das vantagens pessoais, torna-se extremamente desafiador identificar e acompanhar agentes públicos. Refiro-me àqueles de conduta ilibada, e o mesmo vale para os potenciais vultos da cena política que, verdadeiramente, se preocupem com o povo e com o bem comum.


Os pressupostos da cidadania exigem que os cidadãos ampliem e aprimorem sua participação sem, jamais, renunciarem ao dever de buscarem o melhor para a cidade. Do ponto de vista da ciência política, o melhor para a cidade implica no rompimento com as inadequadas e nocivas tradições. Isto demanda coragem, disposição e sintonia com os novos tempos. De resto, uma nova Correntina está no horizonte, porém depende da sensibilidade e da expertise política dos jovens para, em tempo, garantir a continuidade daquilo que efetivamente edifica a nossa terra e seus habitantes. Por fim, a escolha é sua. Vote com consciência!

Por Antonio Rocha.

4 COMENTÁRIOS

  1. Nobre Antônio Rocha, quero aqui parabenizá-lo por externar este excelente texto esclarecedor para a sociedade correntinense.
    Evidentemente é nítido e notório o retrocesso político e social nas dependências desse município e, somente com educação para salvar a nova geração e libertar essa nação. Porque a massa antiga é alienada com mentes retrógradas e irrecuperáveis.

  2. Com todo respeito ao autor do texto, mas falou oque já estamos careca em saber, A educação muda tudo. O correntinense quer imitar os goianos, porém na questão da política eles vouta a ser nordestinos, oque eu quero dizer é que não apenas na hora da festas das campanhas, mais também na hora de fazer a política eles votam igual. Mas acompanho a campanha deste ano não há um candidato que quer fazer diferente dos outros. Tudo tá igual, eles querem ultrapassar suas funções e fazer o povo refém.

  3. Muito bom.. política pública voltada pra educação saúde habitação.. isso mudaria a cara de Correntina. Estou vendo professor fazendo greve pra receber o dinheiro que é de direito e nenhum político do lado deles…estou triste por saber que os novos políticos da nossa cidade tem medo de professor!… parabéns Antônio rocha . Parabéns ao jornal.

  4. Muito propício para uma reflexão nos momentos atuais, poisentra ano e passa ano a situação do povo só piora nas pequenas e grandes cidades, porque os políticos que são eleitos são despreparados para a função; deveriam fazer curso de formação para aprenderem a administrar a coisa pública. Temos cada perfil de políticos que nos envergonham, só pensam em ganhar as eleições para serem mais um a mamar nas tetas do governo e reembolsar aquilo que distribuíram em época de campanha para obter o voto, com juros e correções. Está uma vergonha a qualidade dos nossos políticos. Se não tivermos políticos capazes de se preocuparem com uma educação de qualidade e comprometida com o social, jamais teremos um Brasil livre da qualidade de políticos que temos. A educação precisa ser prioridade de todos os que administram e na sua totalidade, ou seja, com profissionais de excelência e com salários dignos, para que possam ser motivados ao trabalho. Deveríamos pegar como exemplo o Japão, onde os educadores são respeitados.

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