Publicado em 26/12/2025, às 9h15.

Gecilio Souza – Graduado em filosofia pela PUC-GO, mestre em filosofia pela UFG, Bacharel em direito pela UniCEUB, professor, Cordelista e poeta.

O ENGODO DO NATAL
Por Gecílio Souza

Foto ilustrativa.

Que o mundo é dos espertos
É uma fatídica certeza
Porém me causa espécie
Tão ousada esperteza
Repetida anualmente
Travestida de singeleza
É a histeria natalina
Para sublimar a aspereza
De um modelo econômico
Anti-ético e catatônico
Omisso da própria fraqueza

Foto ilustrativa.

Institui-se belos adágios
Legitimadores da pobreza
De janeiro a novembro
Predomina a avareza
De repente o consumismo
Orna-se da santa pureza
Cristianizou-se o dinheiro
Beatificou-se a riqueza
Avolumam-se os lucros
Dos espíritos vis e xucros
Que agem na sutileza

Foto ilustrativa.

Vinte e cinco de dezembro
Bane-se a palavra “tristeza”.
O ocidente cristão
Promove a maior beleza
Guerras não existem mais
O mundo é uma delicadeza
Crianças e idosos sem lar
Não há mais na redondeza
Gente em situação de rua
Não há aqui nem na lua
É quimera da natureza

Foto ilustrativa.

Favelas e outros biombos
Foram extintos pela alteza
Sem terra, teto e comida
Deixaram de sê-los na moleza
Mendicância e analfabetismo
Se existem é em Veneza
É a impressão que nos passa
Essa falsa gentileza
Saibam todos que o Natal
É um truque comercial
Que ofende a natureza

Foto ilustrativa.

É um dos entorpecentes
Que a sacra cristã torpeza
Injeta na veia das massas
Com mitigada rudeza
Hipócrita religião
Ou religiosa baixeza
Seu pseudo-altruísmo
Neutraliza a destreza
Dos descalços e sem camisa
Que nunca saem na pesquisa
E atrapalham a limpeza

Foto ilustrativa.
Foto ilustrativa.

Abençoa a quem consome
E consumidor sem clareza
Vê o milagre no comércio
Não enxerga a malvadeza
O mar das mercadorias
Lhe afoga na correnteza
Se agarra nos bens sagrados
Buscando alguma firmeza
Religiões capitalistas
Mentirosas e oportunistas
Sacralizam a safadeza

Foto ilustrativa.
Foto ilustrativa.

Com citações decoradas
E nenhuma profundeza
Gigolôs de vestes “santas”
Afirmam fazer proeza
Milagres e outras façanhas
Têm a síndrome da grandeza
Se lambuzam da matéria
E expõem sua pequeneza
É Natal, mas que bonito
Falta apenas Jesus Cristo
Que reprova tal baixeza

Foto ilustrativa.
Foto ilustrativa.

Os festejos natalinos
Vamos falar com franqueza
São truques arquitetados
Com cuidado e com frieza
Para explorara a boa fé
Da coletiva tibieza
Nesta época o dinheiro
Comprova a sua realeza
Altruísmo de aparência
Descarrego de consciência
Siririca da nobreza

G. S.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.