Publicado em 12/8/2025 às 11h15.

Colunista Profª Isidora.

Narrativas Indignadas integra ao 1º Sarau na Casa Casulo.
Por Profª Isidora. 

No último dia 9 de agosto, a Casa Casulo, em Correntina, sediou o 1º Sarau na Casa Casulo, evento idealizado por Dominique Faislon e Bruna Lamayra. A programação reuniu música, poesia, dança, contação de causos, número de mágica, teatro, performances e exposições artísticas, valorizando a produção cultural local e fortalecendo os vínculos entre artistas e comunidade.

Foto de Douglas Moreira e Pavão. (Pavão e Conchita)

Entre as atrações, a artista visual Conchita Silva apresentou sua primeira exposição em Correntina “Narrativas Indignadas”, composta por quatro trabalhos criados entre 2018 e 2025 nas linguagens da xilogravura, cerâmica, instalação e vídeo-arte. Com curadoria e expografia assinadas por Conchita Silva e Pavão, a mostra aborda o Cerrado de Correntina, denunciando sua destruição socioambiental e evidenciando a resistência das populações tradicionais.

Texto Curatorial – Por Pavão:
Temos o prazer de apresentar a vocês Narrativas Indignadas, a primeira exposição individual de Conchita Silva, filha de Zulmira, neta de Toin de Lia, professora, artista e pesquisadora. Composta por quatro trabalhos realizados entre os anos de 2018 e 2025 nas linguagens da xilogravura, cerâmica, instalação e vídeo, as obras têm como eixo central de investigação a produção de vida e morte nos Gerais.

Soja Mortuária abre a exposição devorando o que é diverso e que não pode ser vendido, o que se cria na coletividade ancestral e que, por isso mesmo, é incapturável. Ao adentrar na sala, a fartura se anuncia no rosto de onze mulheres que passam a nos encarar em duas das paredes da exposição: Jake e Dona Rosa, Dona Ana, Dona Nena, Dona Anália, Catiuscia e Catiene, Aliene, Bya e Gaby e Marinêz. Desde a década de 70, prefiro… é uma série de xilogravuras que traz mulheres da lida doméstica, da lida no embate direto, da lida no ensino, da lida intelectual contra a monocultura da terra e do pensamento como diferentes maneiras de colocar o corpo em luta.

A videoarte Pseudo Cerrado nos convida a reimaginar radicalmente o que foi, o que está sendo e o podem ser os territórios do Cerrado através da contradição por som e imagem, que perfura nossos olhos e ouvidos, inquietando nossa travessia na terra. Quem se serve? Convida o público a mastigar ausências, se embebedar de aridez e, de sobremesa, se deliciar desesperadamente do pequi e do araçá que o correntão já já vai derrubar.

No final da exposição, temos a instalação das onze matrizes de umburana que trazem a dimensão do fazer manual no embate da artista com a madeira, nos convocando à luta para plantar olhos d’água e produzir dignidade para as multiespécies deste solo em que pisamos, seja através da nossa arte, derrubando as cercas ou esperando nossos filhos voltarem para a casa.

O evento também contou com apresentações de Iremar Araújo, Estevão Luys Barbosa, Valéria Caetano, Rozângela Ferreira, Marcos Maciel, Ihago e Tales Gusmão, Madna Montalvão, Bruna Lamayra Otto Neves, Tigresas, Zulmira Silva e Carol Bastos, Ailton Vieira (Tilixa), Ana Clara Neiva, Mario Reis Neiva, Milson, Rebeca Silva, Balduíno Araújo e Dominique Faislon, além da exposição “Grito Cerrado”, de Jurema. Segundo o caderno de registros, cerca de 64 pessoas prestigiaram a noite, marcada por arte, música e resistência cultural.

Correntina, 11 de agosto de 2025.

Foto: Douglas Moreira e Pavão.

2 COMENTÁRIOS

  1. PARABÉNS AOS IDEALIZADORES DO SARAU NA CASA CASULO!!!

    Por via do noticioso JORNAL DE CORRENTINA e da ilustre professora Isidora (Isa do Caruarú) é que tomei conhecimento desse evento incrível! O 1º Sarau na Casa Casulo, segundo se comentam, foi uma verdadeira celebração da arte e da cultura local, reunindo talentos de diversas áreas. A exposição “Narrativas Indignadas” de Conchita Silva foi um destaque, com obras que denunciam a destruição socioambiental do Cerrado e celebram a resistência das populações tradicionais.

    A curadoria e expografia assinadas por Conchita Silva e Pavão são impressionantes, e as obras apresentadas são uma mistura poderosa de arte e mensagem. A exposição é um convite à reflexão e à ação, e é incrível ver como a arte pode ser usada para inspirar mudanças.

    O evento também contou com apresentações de diversos artistas locais, o que mostra a riqueza cultural da região. É inspirador ver a comunidade se reunir para celebrar a arte e a resistência cultural. Lamentável que o livro de presença tenha registrado apenas 64 visitantes, pois, se eu estivesse em Correntina seriam 65, promover e apoiar cultura que inspiram mudanças é comigo mesmo!

    Parabéns à Casa Casulo e aos organizadores do evento por criar um espaço para a arte e a cultura florescerem!

    GETÚLIO REIS

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