Publicado em 11/4/2026, às 7h30

A VIAGEM DE SOFIA
Por Gecílio Souza
O Cosmo era povoado
De deuses da mitologia
Uns do bem outros do mal
E respectiva genealogia
A concorrência divina
No infinito prevalecia
Foi aí neste contexto
Que apareceu Sofia

Um amigo que vivia
Neste mundo a procurar
O flerte de uma deusa
Para consigo selar
A união indissolúvel
E a tudo questionar
Seu nome grego é Filo
Com Sofia foi se juntar
Pitágoras soube operar
Essa incrível união
E a palavra FiloSofia
Prevaleceu desde então
Apontou os fundamentos
Com lógica explicação
Os mitos se retiraram
Sob a ordem da razão

Ela é luz na escuridão
Da inimiga ignorância
Faz o homem distinguir
Superfície de substância
Essência de aparência
E o fútil de relevância
Analisando o conjunto
Inerente à circunstância
Ela é plena observância
Do maior de quaisquer planos
Investigação sistemática
Sobre os atos cotidianos
Os tolos lhe menosprezam
Por incomodar os fulanos
Sua busca pela verdade
Potencializa alguns danos
Ela tem traços humanos
Mas na essência é divina
Esteticamente jovem
E adulta na disciplina
Rigorosa e radical
Como a lógica que ensina
Deixa a alienação perplexa
Porque lhe tira a cortina
O vulgo não raciocina
Com o rigor que deveria
Mergulhado na preguiça
Ignorante balbucia
Sua concepção acrítica
Que a tolice propicia
Declara-se orgulhoso
Contrário à Filosofia
A deusa sabedoria
Finge até que não escuta
Os impropérios da turba
Que contra ela labuta
A propósito deusa é deusa
De grande poder desfruta
E os ingênuos submersos
Na cegueira absoluta

Cativos dentro da gruta
Que Platão chama caverna
Com algema em cada braço
E corrente em cada perna
Têm os dois olhos vendados
E uma petulância interna
Lógica alguma lhes remove
Da posição subalterna

Porém a prisão moderna
Com suas grades virtuais
Não tem estruturas físicas
Suas paredes são mentais
Muito mais eficientes
Que os cárceres convencionais
A muralha e a fechadura
São as redes sociais

Nem os outros animais
Aceitam tal cativeiro
Guiados pelos instintos
São autênticos por inteiro
Obedecem à natureza
O seu código verdadeiro
Já os humanos cativos
Prestam culto ao carcereiro
O senso comum corriqueiro
Encanta os encarcerados
Sua prosa tem ressonância
Entre os próprios alienados
Que desdenham o saber
Ainda são ovacionados
Mas Filosofia conhece
A ilusão dos enganados
Uns devem ser desculpados
Ao passo que outros não
Os falsos livres cativos
Na masmorra da ilusão
Não podem pagar o preço
Dos maldosos sem noção
Que fazem do dinheiro Deus
E da tolice religião
Filosofia é a razão
Em seu máximo exercício
Análise lógica profunda
Do todo e não do resquício
Com sistemático rigor
Porque este é seu ofício
Examinar na ordem inversa
Indo do fim para o início
Suspeitar de qualquer vício
De toda prévia verdade
Não importa de onde venha
Investigue sua autenticidade
O senso comum ilude
E encanta a sociedade
Subestimando a razão
A legítima autoridade

Mas Sofia cedo ou tarde
Descortina a existência
Retira o manto do mundo
E analisa a sua essência
Com um juízo radical
Que caracteriza a ciência
Filosofia é uma viagem
Nas asas da inteligência





