Publicado em 15/05/2024 às 22h51

Foto: WALDECK ORNÉLAS

Em meados do século passado, a presença da Bahia na agricultura nacional restringia-se à condição de maior produtor de cacau do país. Desgraçadamente, esta lavoura foi arrasada pela vassoura-de-bruxa, que a vitimou a partir dos anos 1980. Felizmente, agora em franca recuperação – inclusive de preço, o cacau terá, no entanto, perdido definitivamente a liderança do agro baiano para a moderna e dinâmica agricultura de grãos do Oeste baiano.

Em 1974 fiz minha primeira viagem ao vale do São Francisco, realizando, para a antiga Centro de Pesquisas e Estudos (CPE), um estudo pioneiro sobre a Região Administrativa de Santa Maria da Vitória. Perguntei, então, o que era aquela vastidão de terras situadas mais a oeste, onde não havia cidades. Eram os chamados “gerais” – responderam-me – uma terra que, segundo os locais, não servia para nada; apenas para soltar o gado, quando a seca apertava no vale. Estavam errados. Era o cerrado!

Foto: Gerais baiano.
Foto: Gerais baiano

Em 1980, já como diretor do então Centro de Planejamento da Bahia (Ceplab), propus a criação do Programa de Ocupação Econômica do Oeste, logo abraçado pelo governador Antonio Carlos Magalhães, a partir de quando se deu a efetiva integração do então “Além São Francisco” à Bahia.

Rebatizamos a região! Os primeiros “gaúchos” apenas começavam a chegar, na verdade paranaenses desapropriados de Itaipu. Nascia o que é hoje o Matopiba, acrônimo de toda a grande fronteira agrícola do Nordeste, onde o Oeste baiano lidera, com maior área cultivada e cerca de 50% da produção.

Por coincidência, e sorte pessoal, tendo assumido a secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia do Estado, de 1982 a 1986, pude dar continuidade ao programa, fazendo convênios com as prefeituras de Barreiras, São Desidério e Riachão das Neves, que deram origem às primeiras escolas, unidades de saúde e delegacias de polícia do cerrado baiano. Secretário novamente, de 1991 a 1994, pude assegurar a continuidade da estratégica Ocupação Econômica do Oeste, inclusive elaborando o programa de Corredores Rodoviários, financiado pelo BID, fundamental para viabilizar a acelerada expansão da área cultivada.

A Bahia passou a ter presença significativa no agro nacional, ocupando hoje a 7ª colocação no ranking estadual, com uma produção, em 2023, da ordem de 13,4 milhões de t, em 3,4 milhões de ha, com participação de 4,2% na produção, sendo o segundo maior produtor nacional de algodão. São Desidério e Formosa do Rio Preto são presenças constantes na liderança nacional do PIB Agropecuário Municipal.

O Oeste conta atualmente com uma produção agrícola e pecuária diversificada, moderna, de elevada produtividade, dinâmica e eficiente. Até da pesquisa, os produtores cuidam. A Fundação Bahia e o seu modelo de governança é algo a ser replicado. O gargalo na infraestrutura é que tem feito com que o Oeste baiano deixe de ter um ritmo mais rápido de expansão, desperdiçando oportunidades.

O crescimento vem se apoiando fundamentalmente em ganhos de produtividade, enquanto a carência de infraestrutura estrangula a capacidade de expansão, com graves prejuízo para a economia baiana. Nessa área, praticamente todas as frentes requerem atenção e prioridade.

A conclusão da FIOL II é obra indispensável, fundamental e estratégica, para permitir a interligação do Oeste baiano e outras áreas do Matopiba com os portos do litoral baiano.

Felizmente está sendo realizada licitação, pelo Ministério dos Transportes, para um último lote, entre Correntina e São Desidério. Feito isto, estão postas as condições para concessão do trecho, o que precisará ser feito em conjunto com a FIOL III e a FICO I e II, proporcionando a formação do corredor Centro-Leste, nacionalmente importante e estratégico.

O sistema rodoviário está a necessitar de um novo programa de Corredores Rodoviários, como o que foi feito nos anos 1990, agora beneficiando mais a parte sul da região, para permitir a plena incorporação das áreas de Cocos, Jaborandi e Correntina – nova frente de expansão intrarregional – no processo de ocupação econômica, além de beneficiar novas áreas na parte norte – contemplando Formosa do Rio Preto, Riachão das Neves e Luiz Eduardo Magalhães com o “colar da soja” – além da conclusão da BR-135, entre Correntina e São Desidério.

Enquanto a FIOL I e II não entram em operação, atenção especial precisa ser dedicada à BR-242, com sua conservação em boa qualidade, implantação de terceira faixa e duplicação em vários trechos – inclusive entre Luiz Eduardo Magalhães e Barreiras – para permitir o escoamento das safras pelos portos baianos. Na falta de recursos públicos, não seria o caso de uma concessão?

A disponibilidade de energia, carente de novas subestações e linhas de transmissão, tem sido um serviço essencial muito negligenciado pela concessionária e pelos poderes públicos, muitas vezes procurando jogar nos ombros dos produtores sua implantação, onerando os projetos.

Finalmente, agora em março, talvez preocupada com objeções à renovação de sua concessão, a Neoenergia Coelba dispôs-se a dialogar com os produtores, através de suas entidades – a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA) e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA) – para, enfim, delinear um programa de investimentos, capaz de solucionar o déficit de energia. Falou-se em um incremento de 70% na oferta nos próximos quatro anos. Mas esta é uma promessa apenas para corrigir o déficit atual, numa região onde a oferta de energia precisa constituir fator de atratividade de novos investimentos privados que, aliás, têm vindo espontaneamente.

O Aeroporto de Barreiras continua desprovido de condições mínimas para atender às necessidades da região. É preciso torná-lo um aeroporto regional, dotando-o de condições físicas, tecnológicas e operacionais compatíveis com a importância da área.

O Aeroporto Regional do Oeste Baiano é uma prioridade indiscutível e não pode ficar de fora, quando o governo federal promete um programa de 200 novos aeroportos regionais no país.

Numa área de produção moderna, inclusive praticando agricultura de precisão, a disponibilidade de serviços de telecomunicações é indispensável, para permitir o monitoramento do campo e a gestão da produção.

Indicador indireto da pujança da região, a Bahia Farm Show – segunda mais importante feira de negócios do agro brasileiro – realizada anualmente em Luiz Eduardo Magalhães, em área de 24ha, reúne mais de 400 expositores, recebe 100.000 visitantes e movimenta R$8 bilhões em negócios, atraindo novos investimentos.

Agro Rosário.

No município de Correntina, a vila de Rosário floresce como uma nova cidade do agro. Aí se realiza a AgroRosário, nesse que é um novo centro de negócios da região, na junção da BR-349 com a BR-020, um estirão rodoviário cuja implantação defendi e viabilizei, embora, à época, muitos temessem a perda da influência da Bahia sobre a sub-região.

E o processo de industrialização avança. Ainda agora, através do Projeto Farol, a região ganhará duas biorrefinarias de etanol de milho – uma na área de influência de Rosário, a outra em Luís Eduardo Magalhães – ambas importantes zonas de produção desenvolvidas nos “gerais”.

A expansão da infraestrutura constitui, hoje, condição essencial e indispensável para que o Oeste baiano possa, em poucos anos, dobrar a sua contribuição para a economia nacional.

Waldeck Ornélas, especialista em planejamento urbano-regional é autor de Cidades e Municípios: gestão e planejamento.

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Texto conta com erros grotescos e falta de conhecimento da região. Na Frase região administrativa de Santa Maria da Vitória, de onde ele tirou esse termo?
    Pq não foi abordado os danos ambientais e a pouca geração de empregos que não está barrando a migração?

  2. O Texto conta com erros de pontuação e acentuação, além de termos incorretos como: região administrativa de Santa maria da vitória kkkkkkkk
    Uma visão puramente pessoal que não condiz com a realidade e história da região!!!!!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.